Artigo: Sabe-se Somente Que São Índios, por Cíntia Gomes
Artigo: Sabe-se Somente Que São Índios, por Cíntia Gomes
Artigo: Sabe-se Somente Que São Índios , por Cíntia Gomes
Por Já ouviu falar em Koiupanká? E Xetá? Nawa? Quem sabe Pankararu, Guarani, Kalankó e Genipapo-Kanindé, Munduruku? Se ao ler pensou em índio, acertou. Comemoramos o dia do índio como se só fizessem parte da história no passado e hoje já não existissem mais. Porém, mesmo com todo o massacre desde que os portugueses chegaram ao Brasil, índios lutam para sobreviver, cultivar suas tradições e cultura, em busca de ter de volta o que lhes foi tirado.Foi realizado, no dia 5 de maio, o segundo encontro de 20 estudantes de jornalismo selecionados para participar do projeto "Repórter do Futuro", organizado pela Oboré, cujo tema é "Direito dos povos indígenas". Tiveram a oportunidade de realizar uma coletiva de imprensa com a Professora de Antropologia da PUC/SP, Maria Lúcia Rangel, sobre o preconceito contra os povos indígenas. Durante a coletiva, os futuros jornalistas e convidados discutiram sobre a falta de conhecimento do povo brasileiro sobre a questão indígena, de como e quais são suas tribos, como vivem, seus direitos e dificuldades que enfrentam atualmente. Nem sempre respeitados como deveriam, os povos indígenas não têm seus direitos étnicos e territoriais reconhecidos no Brasil. Segundo a Professora Maria Lúcia, "Os índios existem porque eles querem existir".
Há um estereótipo criado pela sociedade desde o ensino fundamental, em que as crianças aprendem que o índio é aquele de cabelo liso escuro, pele vermelha, que usa uma folhinha na cabeça, vive no mato, fala uma língua diferente, mora numa casa de palha chamada oca e sobrevive da caça.
A FUNAI (Fundação Nacional do Índio), ao perceber que muitas pessoas com cabelos crespos se diziam índios, com interesses em territórios, teve a necessidade de identificar e determinar o que é ser índio. Índio se tornou aquele que a antropologia construiu, através da identificação pela língua, rituais e corpo mitológico próprio. Assim, deixa de ser índio quando não se tem todas estas características. Devido a isso, cresce a questão política, a discriminação, falta respeito do que é a sociedade indígena, a estrutura e a cultura, e, assim, para ter seus direitos, esta precisa provar a sua identidade. Há um mito de que o país possui uma sociedade democrática, de que não há racismo. "Uma vez vi em uma pesquisa que 98% dos brasileiros entrevistados conhece alguém que é racista, mas não se considera um. Na verdade, não assumem, não gostam de dizer que são racistas, porque sabem que é ruim", afirma a professora Maria Lúcia.
O nome índio, categoria construída no cenário brasileiro, é uma categoria política e social. É feito a base de preconceito, quando não puro folclore. A pessoa do índio é limitada e dada apenas como índio, são tratados como pessoas comuns, como o negro, o pobre e o branco. Não é dada a devida importância que tem, não se enxerga a sua diferença, assim como não se enxerga a diferença do negro, branco ou pobre.
Para a professora Maria Lúcia, "nós não queremos dar o direito à terra, o chão é objeto de compra e venda e nenhuma República consegue tirar isso. É criada uma idéia do que é o bom modo de vida, mas o lugar do índio é onde ele se atribui, mas a sociedade quer abrigar, determinar o lugar".
Há 500 anos desceram do mar homens brancos de Portugal, viram o índio nu e disseram: "Meu Deus, eles estão desavergonhados e são nossos iguais!!! Mas dominados pelo demônio. Precisamos convertê-los para serem guiados por Deus, como nós o somos!" Ao ver o índio como um igual, o branco assassinou a cultura e a diferença do índio. Hoje, temos esta herança, somos todos iguais lutando por nossos direitos. Tudo, exatamente tudo, é a mesma coisa e não se respeita a diferença de ninguém.
* Cíntia é estudante do 5° semestre de jornalismo da Anhembi Morumbi, de SP.
* Contato : cintiagomes83@ig.com.br 





