Artigo: A grande sedução de ainda se fazer jornalismo, por Cíntia Gomes
Artigo: A grande sedução de ainda se fazer jornalismo, por Cíntia Gomes
Atualizado em 02/05/2007 às 13:05, por
Cíntia Gomes*.
Artigo : A grande sedução de ainda se fazer jornalismo , por Cíntia Gomes
Por Escolher uma profissão não é uma tarefa muito fácil. Entender as razões de se optar pelo jornalismo, muito menos. Devido ao papel fundamental que exerce na sociedade, é uma área que interfere e está presente no cotidiano das pessoas, seja ele impresso, televisivo, radiofônico ou on-line.È engraçado ver que ainda há muito interesse em se formar em jornalismo quando presenciamos um período em que a imprensa atual, principalmente a brasileira, está em crise. Diante da era digital, os meios de comunicação e as pessoas tiveram necessidade de se adaptar as novas tendências tecnológicas, nas quais as informações são despejadas em um ritmo cada vez mais acelerado e as notícias, nos meios de comunicação, são parecidas e repetitivas. Mesmo assim, há esperança de que tudo entre nos eixos e de que ainda é possível produzir um trabalho sério e envolvido com a sociedade.
A linguagem jornalística tem um grande potencial de mexer e transformar a vida das pessoas. A veracidade do comprometimento social, o processo de dar a notícia, o fato de gerar polêmica, perceber o vínculo da atualidade de nutrir a narração, a cultura, os valores e contribuição para que se faça valer os direitos humanos no meio social permitem, aos futuros profissionais, acreditarem no bom jornalismo. Para o professor, jornalista e escritor Manuel Carlos Chaparro, "o jornalismo tem uma sedução de veracidade de comprometimento com o social, é preciso saber fazer para que os argumentos sejam persuasivos".
Hoje, ao vermos o jornal com as mesmas fotos e assuntos, percebemos que não se sabe narrar, nem fazer diferente. É até difícil identificar quem escreve: há uma massificação dos fatos. O vínculo com a sociedade, ética, denúncia, liberdade, valores e aperfeiçoamento da vida, constrói uma ação e interação para que o leitor se identifique. As técnicas são essenciais, ao utilizar fotos e citações, contribui-se para a veracidade do assunto.
É fascinante ter olhar crítico, fazer com que o jornalismo mergulhe e descubra revelações que elucidam a razão dos fatos. Ter a atitude do relato e atitude do desvendamento. O que falta atualmente é identificar quem é o interlocutor, dar chance a novos protagonistas e utilizá-los na matéria para assim emitir a mensagem e ter o auditório como construção mental. "Existe o jogo das expectativas. Quem não faz esse jogo não consegue fazer jornalismo. O estilo declaratório, os relatos é uma reprodução da TV no jornal impresso. Reprodução do que é falado em outros meios de comunicação e, assim, deixa-se de detectar, avaliar e responder a expectativas para que o leitor entre no texto", comenta Chaparro.
O jornalismo é construído com base na opinião e formação, clareza das idéias, relevâncias e ações. É necessário tomar decisões, saber fazer escolhas, ter critérios para decidir o que é importante. Narrar é fazer com que a narração seja sedutora. Desta forma, não fica difícil compreender como este fenômeno ocorre, pois a essência do fazer jornalístico, atuar em uma área que altere e reproduza a realidade manifestada nas ações políticas, culturais e sociais, faz com que se valha à pena ser jornalista.
* Cíntia Moreira Gomes é estudante do 5º semestre de jornalismo da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo
E-mail : cintiagomes83@ig.com.br






