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Artigo: A "Arte" de ser humano, por Patrícia Sanches

Artigo: A "Arte" de ser humano, por Patrícia Sanches

Atualizado em 16/03/2007 às 12:03, por Patrícia é estudante de jornalismo da UNIMAR - Universidade de Marília..

Artigo: A "Arte" de ser humano , por Patrícia Sanches

Todos os dias ouvimos pessoas falando sobre o belo. O tão aclamado e adorado paradigma, que padroniza, causa martírio, cria conceitos, inibe, enfeitiça, espanta, emociona.

Tantos sentimentos causados por um simples termo, discutido por filósofos de todas as épocas, cada um com teoria sobre o termo, mas a pauta não envelhece. Assim como a busca incansável, daqueles que querem saber como a surgiu a vida na terra, se foi obra do divino, conspiração do universo, abiogênese, sabe-se lá, tantas outras suposições.

Quem nasceu primeiro o ovo ou a galinha? Talvez o "enigma" do século, a pergunta que resume os anseios dos seres humanos. Os mesmos, que somos obrigados a conviver desde que nascemos. Pensamos, filosofamos, criamos raciocínios lógicos, mesmo assim os mistérios continuam, lá, no mesmo lugar, intrinsecamente ligados ao nosso passado, presente e futuro, ligados às obscuridades do indecifrável mundo de questionamentos não resolvidos.

E o belo, enigmático, ressurge na Ágora do inconsciente e consciente humano, imprime-se na alma e é utilizado pelos mestres da semiótica para iludibriar, pelos artistas para encantar, pelos filósofos para pensar e de tanto "ar" se torna aquele que respiramos todos os dias, impregnado em nosso cotidiano.

Alguns o utilizam como artifício para chegar até a arte. A velha e boa "imitação da natureza" descrita por Aristóteles. Aquela descrita por Ortega Gassete que a dividiu em pathos (lírica), ethos (dramática) ou a epos (épica), não importa qual a sua classificação ela sempre toca nosso íntimo.

Ela penetra em nossa alma, emociona, encanta, desperta nossa sensibilidade humana, sem que tomemos consciência de sua força. Fabricamos signos, que nos representam e desta maneira seus significados não se perdem, procriam. Evitamos a contaminação animal e buscamos o humano, o divino, o belo, para chegarmos à arte, mesmo sem saber de onde viemos e para onde vamos.

Neste momento a velha e boa frase de Aristóteles é perfeita, "Tudo que sei é que nada sei".