Artigo: A "Arte" de ser humano, por Patrícia Sanches
Artigo: A "Arte" de ser humano, por Patrícia Sanches
Artigo: A "Arte" de ser humano , por Patrícia Sanches
Todos os dias ouvimos pessoas falando sobre o belo. O tão aclamado e adorado paradigma, que padroniza, causa martírio, cria conceitos, inibe, enfeitiça, espanta, emociona.Tantos sentimentos causados por um simples termo, discutido por filósofos de todas as épocas, cada um com teoria sobre o termo, mas a pauta não envelhece. Assim como a busca incansável, daqueles que querem saber como a surgiu a vida na terra, se foi obra do divino, conspiração do universo, abiogênese, sabe-se lá, tantas outras suposições.
Quem nasceu primeiro o ovo ou a galinha? Talvez o "enigma" do século, a pergunta que resume os anseios dos seres humanos. Os mesmos, que somos obrigados a conviver desde que nascemos. Pensamos, filosofamos, criamos raciocínios lógicos, mesmo assim os mistérios continuam, lá, no mesmo lugar, intrinsecamente ligados ao nosso passado, presente e futuro, ligados às obscuridades do indecifrável mundo de questionamentos não resolvidos.
E o belo, enigmático, ressurge na Ágora do inconsciente e consciente humano, imprime-se na alma e é utilizado pelos mestres da semiótica para iludibriar, pelos artistas para encantar, pelos filósofos para pensar e de tanto "ar" se torna aquele que respiramos todos os dias, impregnado em nosso cotidiano.
Alguns o utilizam como artifício para chegar até a arte. A velha e boa "imitação da natureza" descrita por Aristóteles. Aquela descrita por Ortega Gassete que a dividiu em pathos (lírica), ethos (dramática) ou a epos (épica), não importa qual a sua classificação ela sempre toca nosso íntimo.
Ela penetra em nossa alma, emociona, encanta, desperta nossa sensibilidade humana, sem que tomemos consciência de sua força. Fabricamos signos, que nos representam e desta maneira seus significados não se perdem, procriam. Evitamos a contaminação animal e buscamos o humano, o divino, o belo, para chegarmos à arte, mesmo sem saber de onde viemos e para onde vamos.
Neste momento a velha e boa frase de Aristóteles é perfeita, "Tudo que sei é que nada sei". 





