Artigo: Arte e Solidariedade em Tempo de Repressão, por Luiz Gustavo Pacete de Lima*
Artigo: Arte e Solidariedade em Tempo de Repressão, por Luiz Gustavo Pacete de Lima*
Atualizado em 27/06/2007 às 12:06, por
*Por Luiz Gustavo Pacete de Lima e estudante de jornalismo da Fiam Faam.
Artigo : Arte e Solidariedade em Tempo de Repressão, por Luiz Gustavo Pacete de Lima*
Allende foi uma figura popular no contexto político do Chile. Seu governo representou uma tentativa de socializar a economia. Conciliando igualdade e justiça com crescimento econômico. Através de um projeto de reforma agrária e a nacionalização das indústrias. Atitude que não agradou os Estados Unidos. Apesar de ter agravado a situação econômica do país com o abrupto aumento da inflação, o presidente tinha a simpatia de grande parte da população. Foi honrado com o Prêmio Lenin da Paz em 1972. Sua gestão foi apoiada por inúmeros artistas e intelectuais de alta representatividade, tanto no Chile como em outros países.Foram muitos os que se exilaram em seu país. Inclusive brasileiros reprimidos durante o golpe de 1964. Nesta época a América do Sul foi marcada por inúmeros golpes e contra-golpes. Perón na Argentina, Solano Lopes no Paraguai, Getúlio Vargas no Brasil e Juan Vicente na Venezuela. Surge neste contexto a iniciativa de criar o Museu da Solidariedade. A intenção era que inúmeros artistas pudessem como resistência à repressão e como sinal de apoio ao povo chileno, contribuir com algumas de suas obras para o museu que seria inaugurado. A idéia surgiu da parceria do crítico de arte brasileiro Mario Pedrosa e o homônimo espanhol José Maria Moreno Galván. Um dos primeiros a colaborar foi Juan Miró da Espanha e posteriormente nomes como Antoni Tartes, Franz Krajuberg, Lucio Muñoz e Gracia Barrios.
O museu tem um alto grau de representatividade não somente para o povo chileno, mas para toda a sociedade. Um grito de esperança em meio a momentos tão turbulentos. Em que a arte, o expressionismo e a liberdade foram ameaçadas e agredidas. Foi assim que "clandestinamente" elas foram reunidas e guardadas para compor o acervo do museu que se encontra em Santiago do Chile. Nas expressões artísticas estavam não somente a revelação da arte e da conjuntura contemporânea, mas o alento e a contestação produzida especialmente para o momento em que o Chile vivia.
Isto nos remete a uma reflexão acerca do contexto histórico e cultural daquela época. Faz-nos analisar o quanto progredimos na questão democrática e de liberdade de expressão. Apesar de nos dias atuais também nos preocuparmos com a ameaça da democracia e liberdade. Vivemos um contexto que não deve ser comparado com os momentos complexos vividos peculiarmente por cada nação. Entretanto os exílios proporcionaram em alguns casos a integração e as alianças estabelecidas entre artistas e intelectuais. Que as realizaram através de suas vivências. Foi o que enriqueceu o contexto artístico de uma época, provando que a arte e a liberdade são linguagens universais.
O museu possui uma grande significância não somente para o Brasil, mas também para o Chile. Não obstante a simpatia do povo chileno pelo Brasil que é grande. As relações e ligações passadas são inúmeras entre estes dois países.Pablo Neruda já citado neste texto teve diversas ligações no Brasil, como o escritor Jorge Amado e o compositor Vinicius de Moraes. A riqueza contida no acervo e que retrata uma época única do Museu da Solidariedade nos mostra que ainda é possível tecer uma sociedade mais justa e democrática. E que podemos fazer uso da arte, cultura , literatura e da ciência a favor de uma sociedade melhor. O exemplo é que através da união e da sinergia de pessoas oriundas de paises e culturas diferentes foi possível representar uma voz com grande força. Algumas das obras do acervo estiveram expostas no Sesi da Av. Paulista. Elas seguem para a Europa dando continuidade à turnê iniciada no Brasil. Mais informações .
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Luiz Gustavo Pacete de Lima
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