Artigo: A mídia e o debate da estabilidade, por Renato Barreiros, de Buenos Aires

Artigo: A mídia e o debate da estabilidade, por Renato Barreiros, de Buenos Aires

Atualizado em 05/12/2005 às 12:12, por Renato Barreiros e  de Buenos Aires.

Artigo: A mídia e o debate da estabilidade, por

Por Há exatamente uma semana o economista Roberto Lavagna deixou o Ministério da Economia na Argentina a pedido do Presidente Nestor Kirchner por conta de divergências políticas entre os dois.

A imprensa argentina tratou o fato com serenidade. Apesar da ampla cobertura, nenhum veículo estampou manchetes sensacionalistas prevendo o caos generalizado.

Já no Brasil, o Ministro da Fazenda Antonio Palocci, acusado de envolvimento em escândalos de corrupção, tem a mídia como grande aliada. Qualquer sinal de fumaça relativo a sua saída do governo leva a um intenso debate teórico sobre o que seria de nós sem o principal pilar de nossa estabilidade.

O irônico dessa situação é que Lavagna enfrentou desafios muito maiores que Palocci, já que começou a integrar o governo argentino em abril de 2002, quando a Argentina ainda estava no auge da crise que devastou a economia do país.

Além de conseguir estabilizar a economia interna, Lavagna ainda renegociou a dívida externa com pulso firme, reduziu impostos e fez com que o PIB argentino crescesse mais de 9% ao ano. Enquanto isso, no Brasil, Palocci apenas seguiu a política de arrocho fiscal implementada por Pedro Malan e se dedicou a manter a economia brasileira dentro das receitas estabelecidas pelo Fundo Monetário Internacional.

O que diria a imprensa brasileira se Lula demitisse um ministro como Lavagna, que saiu do cargo deixando como previsão de crescimento do PIB para esse ano uma expectativa maior que 7%?

Talvez nossa imprensa começasse a perguntar se não seria justo um ministro tão competente demitir o presidente, já que esse não estava de acordo com a sua permanência...

A crise de dezembro de 2001 embora tenha deixado más lembranças para a população argentina, trouxe também sábios ensinamentos aos nossos "hermanos" que pelo menos até agora deixaram de acreditar em "iluminados pelo mercado internacional" como seres únicos, possuidores da fórmula que transforma crise em investimento. Talvez se nossos coleguinhas lessem mais os jornais argentinos houvesse menos "súditos" de gente como Palocci e Malan nas redações.