ANJ: Representantes de cinco grandes jornais do país encerram Congresso

ANJ: Representantes de cinco grandes jornais do país encerram Congresso

Atualizado em 31/08/2006 às 16:08, por Redação Portal IMPRENSA.

ANJ: Representantes de cinco grandes jornais do país encerram Congresso

Justiça, corrupção, compromisso com a sociedade e qualidade da informação foram tópicos que permearam os discursos dos quatro debatedores da última mesa do 6 º Congresso Brasileiro de Jornais, realizado pela Associação Nacional de Jornais (ANJ), nesta tarde, em São Paulo.

Josemar Gimenez, diretor de redação do Correio Braziliense e do Estado de Minas , Marcelo Rech, diretor de redação do Zero Hora , Otavio Frias Filho, diretor de redação da Folha de S. Paulo e Sandro Vaia, diretor de redação do Estado de S. Paulo , tentaram encontrar respostas para o tema proposto: "Para onde vai o Brasil? Qual é o papel dos jornais nessa trajetória?".

Também estavam presentes o presidente da ANJ, Nelson Sirotsky, e, como moderador, o antropólogo Roberto DaMatta, que iniciou a seção lembrando que é essencial ao jornalista exercer o estranhamento e a curiosidade acima de todos os tabus.

Na discussão sobre qual seria o melhor caminho para salvar os jornais impressos da extinção, cada representante deu a sua opinião. "Precisamos contextualizar mais os fatos e observá-los com um olhar mais analítico", disse Josemar Gimenez. Ele também acredita que é preciso contribuir para a educação, facilitar o acesso a novas tecnologias, além de trabalhar melhor o jovem politicamente.

Para Marcelo Rech, a corrosão moral do país acontece por causa da baixa circulação de jornais. "Não podemos esperar que o Brasil mude para aumentar a circulação, e sim o contrário". Ele também acredita na reorientação das agendas editoriais dos veículos. Sugeriu uma cobertura que não ignore a maioria silenciosa do país, que se atenha menos a intrigas partidárias e a crimes e mais à cobrança da impunidade e a segurança.

Otavio Frias Filho ressaltou a importância dos jornais, lembrando que boa parte dos recentes escândalos políticos foram dados em primeira mão por diários impressos. "Apesar de tudo, os jornais tem uma credibilidade que nenhum outro meio tem". Ele aposta na tentativa de aprimorar a qualidade da informação e diz discordar dos que pensam que os veículos devem se resignar e manter um público limitado. "Não queremos renunciar a guerra pela audiência. É possível continuar nos abrindo para o público, sem perder a identidade e qualidade".

O último a se pronunciar foi Sandro Vaia. Ele abriu o discurso com uma frase do dramaturgo Arthur Miller: "Um bom jornal, imagino, é uma nação conversando consigo mesma". Na opinião de Vaia, os jornais podem ajudar a iluminar o caminho do processo civilizatório da sociedade.

Depois de um espaço aberto para perguntas da platéia, Sirotsky encerrou a sexta edição do congresso. "Este evento é a reafirmação dom compromisso da sociedade com a liberdade de imprensa".