Aniversário: O Estado de S. Paulo completa 132 anos de existência

Aniversário: O Estado de S. Paulo completa 132 anos de existência

Atualizado em 04/01/2007 às 11:01, por Redação Portal IMPRENSA.

Aniversário : O Estado de S. Paulo completa 132 anos de existência

São 132 anos de existência e 127 anos de vida independente. O jornal O Estado de S. Paulo , que chega hoje à sua edição nº 41.351, foi fundado em 4 de janeiro de 1875 por um grupo de idealistas republicanos.

Diário de quatro páginas e 2.025 exemplares, chamava-se então A Província de São Paulo , nome que conservou até 31 de dezembro de 1889, um mês e meio após a queda da monarquia, atendendo ao apelo dos colecionadores que não gostariam de arquivar no mesmo ano exemplares com logotipos diferentes.

A Província foi uma inovação. O francês Bernard Gregoire agitou o mercado com sua criatividade, ao sair a cavalo pelas ruas, barrete branco na cabeça, uma buzina na mão e um maço de jornais debaixo do braço, anunciando as notícias do dia. A venda avulsa foi um sucesso. De 2.550 exemplares, em 1880, a tiragem saltou para 3.300 seis anos depois.

Em 1888, quando o nome de Julio Mesquita apareceu no alto da primeira página como diretor-gerente, o jornal comemorou a abolição da escravatura, uma causa que vinha defendendo desde a fundação. "Viva a República" foi a manchete, de página inteira, na edição de 16 de novembro de 1889.

Durante a Primeira Grande Guerra, sobre a qual Julio Mesquita escreveu uma série de artigos (eles foram publicados em 2002 no livro A Guerra, em quatro volumes, pelo seu bisneto Ruy Mesquita Filho), a empresa lançou uma edição vespertina - O Estadinho - que circulou de 1915 a 1921. Seu diretor era Julio de Mesquita Filho, que iniciava a carreira de jornalista, enquanto o irmão, Francisco Mesquita, se dedicava à área administrativa.

Julio de Mesquita Filho e Francisco Mesquita, que assumiram a direção do Estado em lugar do pai, falecido em 15 de março de 1927, lutaram na Revolução Constitucionalista de 1932, depois de terem apoiado Getúlio Vargas em 1930. Foram presos e mandados para o exílio em Portugal, de onde voltaram em 1934, quando seu cunhado, Armando de Salles Oliveira, foi nomeado interventor e, em seguida, eleito governador. Por sua indicação, Julio de Mesquita Filho coordenou a comissão que planejou a Universidade de São Paulo (USP).

Com o Estado Novo, que consolidou a ditadura Vargas em 1937, Julio de Mesquita Filho foi preso 17 vezes e exilado, primeiro em Lisboa e depois em Buenos Aires. Estava na Argentina, em 25 de março de 1940, quando soldados da Força Pública ocuparam a sede do jornal, sob a alegação de que seus proprietários armazenavam armas para derrubar o governo. O Estado passou cinco anos e meio sob intervenção, período que não se conta em sua história de 132 anos. Só foi devolvido em dezembro de 1945, após a queda da ditadura.

Depois da morte de Julio de Mesquita Filho, em 1969, Julio de Mesquita Neto assumiu a direção do Estado, enquanto seu irmão Ruy Mesquita dirigia o Jornal da Tarde , fundado três anos antes. A imprensa começava a atravessar então os anos mais duros do regime militar. Os dois jornais não se dobraram diante da censura imposta pela ditadura. Recusando-se a fazer autocensura, que consistiria em substituir as matérias cortadas, o Estado publicava versos de Os Lusíadas, de Camões. No Jornal da Tarde, o espaço, que não podia ficar em branco, era preenchido com receitas de bolos e doces. A censura só acabou em 4 de janeiro de 1975. Com a morte de Julio de Mesquita Neto, em 1996, Ruy Mesquita assumiu o cargo de diretor.