ABI - Sílvio Tendler e a resistência cultural na tela
ABI - Sílvio Tendler e a resistência cultural na tela
Atualizado em 07/06/2006 às 08:06, por
Por: Associação Brasileira de Imprensa.
ABI - Sílvio Tendler e a resistência cultural na tela
O cineasta Sílvio Tendler participou do ciclo de palestras "ABI pensa o cinema", na tarde desta terça-feira, dia 6. No encontro, que integra o projeto Estação ABI, ele falou sobre sua trajetória profissional, a experiência como documentarista e o ingresso na vida acadêmica.Segundo Sílvio, o cinema entrou em sua vida "pela porta da frente, de forma escancarada" - aos 8 anos, já brincava com uma câmera 16mm, que ganhou de seu pai:
- Fazia parte de uma pequena elite que podia dispor daquele tipo de equipamento. Naquela época, começava no mundo um processo de renovação cultural, marcado, no cinema, pela Nouvelle Vague francesa e o Cinema Novo brasileiro.
Em 1968, ele foi eleito Presidente da Federação de Cineclubes do Rio de Janeiro:
- Aquele ano, aliás, mudou minha vida. Fui responsável pela última entrevista de João Cândido, líder da Revolta da Chibata, mas acabei perdendo o filme e não pude concluir meu documentário que, naquele momento, poderia entrar para a história do cinema, da cultura e da política. Sempre encarei a arte como forma de resistência cultural, principalmente nos anos de chumbo:
Sílvio recordou ainda que um de seus primeiros contatos com cineastas foi com Vladimir Carvalho, Geraldo Sá e Olney São Paulo. Depois, em 1970, partiu para o Chile - "para entender o processo socialista após a eleição de Salvador Allende" - e, em 72, foi para a França, onde estudou História na Universidade de Paris e fez mestrado em Cinema pela École des Hautes Études da Sorbonne:
- Na França, conheci Alberto Cavalcanti, muito popular no país. Lá também trabalhei numa produtora ao lado de nomes com Orson Welles e, de volta ao Brasil, em 1976, optei por trabalhar com documentários, como "Os anos JK - Uma trajetória política" e "Jango".
Um dos grandes momentos de sua carreira, porém, não envolvia política: foi quando filmou "O mundo mágico dos Trapalhões".
- Este foi o documentário brasileiro com maior bilheteria da história. Contabilizou 1,8 milhão de telespectadores.
Para Sílvio, um dos deveres do cineasta é formar discípulos. Por isso ele ingressou na vida acadêmica há quase 30 anos: - Aprendo muito mais quando ensino. Gosto de dar aulas, é uma atividade complementar estimulante. Paralelamente, estou finalizando três projetos: "Correndo atrás dos sonhos", "Mundo global do lado de cá" e "Utopia e barbárie - Ter 18 anos em 1968".
Estação ABI: próximas atrações
Devido ao jogo da seleção brasileira no próximo dia 13, a participação de Sandra Werneck fica adiada para 4 de julho. A programação deste mês segue com Carla Camurati, no dia 20, e Antônio Molina, no dia 27.






