ABI - Sepultado o jornalista José Carlos Rego
ABI - Sepultado o jornalista José Carlos Rego
Atualizado em 06/03/2006 às 08:03, por
Por: Associação Brasileira de Imprensa.
ABI - Sepultado o jornalista José Carlos Rego
Amigos e companheiros do jornalista José Carlos Rego participaram neste domingo, 5 de março, da cerimônia de seu sepultamento no cemitério Jardim da Saudade, na Zona Oeste do Rio. Entre os presentes à cerimônia estavam os jornalistas Adail, Lênin Novaes, Maurício Azêdo, Presidente da ABI, Oriovaldo Rangel, Sílvio Paixão, ex-Presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio de Janeiro, e Zilmar Borges Basílio, o compositor Dalmo Castelo e a escritora e pesquisadora de música popular Marília Trindade Barbosa. José Carlos faleceu no sábado de acidente vascular cerebral que o acometeu na Quarta-Feira de Cinzas, o qual provocou logo a sua morte cerebral.Fluminense de Miracema, 70 anos, José Carlos Rego começou sua carreira em 1957 no diário Imprensa Popular, orgão do Partido Comunista Brasileiro-PCB, e nesse mesmo ano se transferiu para a Última Hora, onde se destacou como repórter de Geral e de cobertura da cidade e da vida cultural do Rio, especialmente da música popular e das escolas de samba. Em 1994, lançou o livro A dança do samba, em que discorre sobre as formas coreográficas desse gênero musical com fina capacidade de descrição e análise da dança. A obra é considerada um clássico do tema.
Torcedor do Vasco da Gama, José Carlos era também apaixonado pela escola de samba Império Serrano, sobre a qual fez pesquisas de caráter antropológico que não chegou a expor em livro, como a de que a agremiação se formou e cresceu em torno das relações de casamento e parentesco sangüíneo e afim entre as famílias Santos e Oliveira, envolvendo mais de 250 integrantes de ambas. Seu amor à Império Serrano não impediu que, sobretudo a partir dos anos 60, divulgasse as demais escolas de samba, contribuindo para que estas se projetassem e alcançassem o fastígio que agora exibem. Um dos seus parceiros nessa obra foi o jornalista Waldinar Ranulfo, também repórter de Última Hora e já falecido, que se celebrizou na cobertura das escolas de samba com o pseudônimo Meu Sinhô.
Como repórter, um dos trabalhos mais rumorosos de José Carlos Rego foi a reportagem que fez no começo dos anos 60 com o jovem delinqüente Manguito, matador do também jovem Odilo Costa Neto, filho do escritor Odilo Costa Filho, jornalista responsável pelo começo da famosa reforma do Jornal do Brasil nos anos 50 e membro da Academia Brasileira de Letras. O então Governador Carlos Lacerda lançou toda a Polícia no encalço do matador do rapaz, transformando sua prisão numa questão de honra. José Carlos localizou Manguito e o levou para a Redação da Última Hora, que deu manchete com o assunto, estampou gigantesca foto do matador e declarou que ele estava à disposição do Governador, ao qual seria entregue com a condição de que não sofresse violências e fosse colocado sob a proteção da Justiça. O episódio deixou Lacerda furioso: Última Hora lhe fazia feroz oposição e lhe impôs neste caso uma derrota política de grande repercussão.
José Carlos Rego era membro do Conselho Deliberativo da ABI e do Conselho Superior de Música Popular do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro e integrou em caráter permanente o júri do concurso Estandarte de Ouro do jornal O Globo desde a sua instituição, em 1972. Seu nome não foi citado entre os 13 jurados do Estandarte do Carnaval 2006 (O Globo, Caderno Especial Carnaval 2006, 1 de março de 2006, página 21) presumivelmente por ausência motivada pelo problema de saúde que o levou à internação. José Carlos deixou viúva, dois filhos e uma neta.






