ABI - Sandra Werneck e o gosto por documentários
ABI - Sandra Werneck e o gosto por documentários
Atualizado em 06/07/2006 às 09:07, por
Por: Rodrigo Caixeta / Associação Brasileira de Imprensa.
ABI - Sandra Werneck e o gosto por documentários
A cineasta Sandra Werneck participou, na tarde desta terça-feira, 4 de julho, do ciclo de palestras "ABI pensa o cinema". No encontro, que faz parte do projeto Estação ABI, ela falou do início de sua carreira, contou histórias de suas produções e comentou a situação atual do cinema nacional.Logo que começou a fazer cinema, Sandra juntou-se a alguns amigos para produzir um filme:
- Isso era muito comum, mas, infelizmente, não acontece mais. Além disso, não se gastava muito para montar um filme. Nós fazíamos por prazer, não pensávamos nas dificuldades ou na audiência.
Depois que fez o curta "Ritos de passagem", sobre a vida de travestis na Lapa, a cineasta tomou gosto pelos documentários. Vieram, então, "Pena prisão" e "Damas da noite":
- Gosto de fazer trabalhos ligados a crianças, adolescentes e personagens marginalizados. Fiz também "Guerra dos meninos", que foi vendido para o mundo inteiro e, só na França, teve 55 milhões de espectadores.
Quando resolveu fazer ficção, dirigiu "Pequeno dicionário amoroso" e convidou os amigos Daniel Dantas e Andréa Beltrão para encabeçar o elenco: - Era para ser um documentário, mas aí a Andréa engravidou e acabei tendo tempo para captar mais recursos e mexer na estrutura do roteiro. É uma comédia romântica, contada com uma linguagem diferente e um roteiro irônico e inteligente. Teve 400 mil espectadores e ficou 28 semanas em cartaz.
Em "Amores possíveis", ela misturou vozes de três personagens - um homem casado que tem uma amante; um gay que vive com o companheiro e um garotão que mora com a mãe - vividos pelo mesmo ator, Murilo Benício. Em "Cazuza - O tempo não pára", Sandra foi convidada a dirigir por Daniel Filho, e baseou-se no livro "Só as mães são felizes":
- É um filme que fala de uma época e conta a história da relação familiar. Foi a maior bilheteria de 2004. A crítica esperava que o filme fosse visto principalmente por adultos, mas o público maior foi de adolescentes de 13, 14 anos.
Após "Cazuza", Sandra quis novamente se dedicar aos documentários e fez "Meninas", lançado recentemente, em que conta o drama de jovens grávidas que moram em favelas do Rio:
- O filme foi muito bem recebido pela crítica e está inscrito em diversos festivais internacionais. É um documento histórico, que vai ser vendido para escolas, bibliotecas etc. Aliás, este documentário me inspirou a voltar à ficção e estou trabalhando agora em "Sexo, crochê e bicicleta", baseado no livro "As meninas da esquina", de Eliane Trindade.
Para Sandra, cinema se resume em três "pês": paixão, paciência e persistência. - Construo histórias a partir de observações que faço do ser humano. Procuro entender o indivíduo em seu contexto e tento cumprir a função do cinema: fazer imagens que falam.
A cineasta lamenta a inexistência de incentivos e leis que possam estimular a produção de profissionais em início de carreira, por parte do Ministério da Cultura:
- Deveria haver projetos como "Meu primeiro curta" e "Meu primeiro longa", entre outros. Nosso País permite a construção de diversos olhares, seja sobre a cultura, a política, a história, a música.... É preciso mostrar a cara do Brasil sob a ótica dos cineastas.






