ABI - O poeta na Casa do Jornalista

ABI - O poeta na Casa do Jornalista

Atualizado em 31/05/2006 às 08:05, por Por: Associação Brasileira de Imprensa.

ABI - O poeta na Casa do Jornalista

Na segunda-feira, dia 5, às 10h, Ferreira Gullar encerrará o Curso Livre de Jornalismo Cultural da ABI, com uma palestra sobre sua passagem pelo Suplemento Dominical do Jornal do Brasil (SDJB) e os cadernos literários atuais. O poeta foi convidado pela professora titular do curso, a jornalista Cecília Costa, que conta:
- Desde o projeto do curso havia imaginado sua presença para abordar as diferenças entre novos e antigos suplementos, já que ele participou da criação e reforma do SDJB, em 1957. Preferi tê-lo no encerramento para dar mais destaque, já que se trata do maior poeta brasileiro vivo.

Ferreira Gullar, que começou a escrever poemas após se apaixonar por uma vizinha, foi locutor de rádio, revisor do Diário Carioca e copidesque da sucursal carioca do Estado de S. Paulo. Além de fazer poesia, criou e traduziu peças teatrais, escreveu contos e ensaios e adaptou obras para a TV. Seu livro mais recente é "Relâmpagos", em que reúne 49 textos curtos sobre artes, abordando obras de Michelangelo, Renoir e Picasso, entre outros.

O SDJB, que depois seria transformado no Caderno B, foi um dos mais importantes cadernos de variedades da imprensa brasileira. Em suas páginas, Gullar publicou o "Manifesto neoconcreto", escrito por ele e assinado por Amílcar de Castro, Aluísio Carvão, Fraz Weissmann, Hélio Oiticica, Lygia Clark, Lígia Pape, Reynaldo Jardim e Theon Spanúdis.

Na época, suas poesias encantaram grandes nomes, como Oswald de Andrade, Augusto e Haroldo de Campos e Décio Pignatari. Em entrevista ao crítico literário Weydson Barros Leal, Gullar falou sobre sua forma de escrever então: - Eu tinha grande domínio de toda a métrica e rima das formas clássicas. Quando descobri a poesia moderna, fiquei espantado. Tratei de buscar explicação e percebi que não era nenhum disparate, que a poesia que eu tinha feito até ali era uma poesia de habilidade, do domínio técnico e que a verdadeira arte - a que eu acabava de descobrir - tinha de ser a invenção de sua própria técnica.

Sobre a importância do SDJB para o jornalismo cultural, Cecília Costa diz:
- Criado no final do séc XIX pela família de Cândido Mendes, o Jornal do Brasil, em 1940, era comandado por Pires do Rio, que apostava nas vendas de classificados, como vemos o "Balcão" hoje. Sua mulher fez uma experiência com o suplemento dominical, viu que deu certo e, em 1957, realizou a reforma no jornal, após a morte do marido.

Além do SDJB, a palestra de Ferreira Gullar abordará a possibilidade de um jornalista ser, também, um poeta de qualidade, já que a angústia do jornal diário pode contribuir para a motivação da poesia. A aula especial é gratuita e aberta a pessoas não inscritas no curso, além de dar direito a certificado de participação. As pré-inscrições para quem que não está matriculado devem ser feitas pelo telefone 2282-1292, ramal 219. A ABI fica na Rua Araújo Porto Alegre, 71, no Centro do Rio.