A imprensa sobe o morro I
Vânia Cunha, repórter de polícia do jornal O Dia: "Eu, de repente, me vi no meio do fogo cruzado. Eram rajadas fortes"
A imprensa sobe o morro I
Vânia Cunha, repórter de polícia do jornal O Dia: "Eu, de repente, me vi no meio do fogo cruzado. Eram rajadas fortes"
Atualizado em 27/03/2006 às 14:03, por
Lucas Krauss, da redação, e Pedro Venceslau e do Rio de Janeiro*.
A imprensa sobe o morro I
Vânia Cunha, repórter de polícia do jornal O Dia : "Eu, de repente, me vi no meio do fogo cruzado. Eram rajadas fortes"
Por A jornalista Vânia Cunha, repórter da editoria de polícia do jornal carioca O Dia , acompanhou de perto a ocupação do Exército aos morros cariocas para recuperar as armas roubadas por traficantes de um quartel. Nesta entrevista ao Portal IMPRENSA, que abre a série de entrevistas e reportagens sobre o tema, Vânia faz um balanço do trabalho de comunicação dos militares e desabafa: "Nós passamos, muitas vezes, por situações de risco (durante a cobertura da ocupação)".
IMPRENSA: Você chegou a passar por algum situação de perigo durante a cobertura?
Vânia: Sim, muitas vezes passamos por situações de risco. A tensão era muito grande. Um dia, estávamos subindo o morro quando, de repente, escutamos barulhos de tiro. Fiquei assustada. Os barulhos foram aumentando. Eram rajadas de metralhadora. A sensação era que estava acontecendo do nosso lado. Não era confronto com polícia, era briga entre eles. Eu, de repente, me vi no meio do fogo cruzado. Eram rajadas fortes... Outro dia, eu estava do lado de um solado da PM, quando ouvi do rádio dele o traficante gritar: "Se subir repórter, pode mandar bala. Repórter é tudo alvo".
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"Se subir repórter, pode mandar bala. Repórter é tudo alvo"
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IMPRENSA - Como vocês fazem para conseguir circular pela comunidade sem se atacada pelos traficantes?
Vânia - O primeiro contato, geralmente, é com a Associação dos Moradores. Eles servem como nossos guias. Especialmente agora (ocupação do Exército), que a população local está exaltada. Quando subíamos um pouco além do bloqueio do Exército, a mulher da Associação ia na frente e marcava com algumas fontes para descerem até o bloqueio para falar com a gente.
IMPRENSA - Você costuma algum rádio com acesso a frequência utilizada pelos traficantes? Isso é comum entre o setoristas do morro?
Vânia - Alguns repórteres sempre levam, mas não é tão comum assim. Eu usei pela primeira vez um dia desses, no morro da Providência. Deu para ouvir algumas coisas, como eles brigando entre si.
IMPRENSA - Vocês usam colete à prova de bala?
Vânia - Todos os dias. É norma do jornal.
* Lucas Krauss, estagiário do Portal Imprensa, é estudante de jornalismo da Cásper Líbero e faz parte do programa de estágio do Centro de Integração Em






