200 anos de Imprensa: Nada para comemorar?

200 anos de Imprensa: Nada para comemorar?

Atualizado em 01/06/2007 às 13:06, por Redação Revista IMPRENSA.

200 anos de Imprensa : Nada para comemorar?

No dia 1 de junho do próximo ano, a imprensa brasileira comemora seu bicentenário. As entidades ligadas ao jornalismo ainda não têm nada programado. Mas prometem que a data não passará em branco

Os preparativos para as comemorações dos 200 anos da Imprensa brasileira ainda não começaram. Nada até agora foi definido. Mas as principais entidades da categoria como a FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas), Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP), o maior do país, garantem que o ano de 2008 não passará em branco. E o dia 1º de junho será a data oficial das comemorações.

A imprensa chegou ao país tardiamente. E nasceu oficial. Quando a família real portuguesa se deslocou para o Brasil, em 1808, procurou transplantar a dinâmica da corte. Na fuga, trouxe a tipografia. E, em maio de 1808, nascia a Imprensa Régia. Todo material era submetido à censura prévia.

A censura está, segundo os pesquisadores, na raiz da história da imprensa brasileira. Aos poucos, as tipografias particulares começaram a funcionar. Logo surgiram os dois primeiros jornais impressos: A Gazeta do Rio de Janeiro, que recebia verbas oficiais, e o Correio Braziliense, que era feito em Londres e entrava clandestinamente no Brasil.

Curiosidade
Um dado curioso chama a atenção. O dia da imprensa era comemorado em maio, mês de circulação da Gazeta. Depois, mudou-se para 1º de junho, data de circulação do Correio Braziliense no Brasil, que era escrito e editado por Hipólito da Costa. Também chamado de Armazém Literário, o Correio era uma mistura de jornal, revista e livro. Suas 140 paginas sempre chegavam com atraso no Brasil. Diretor da Imprensa Régia de Portugal e perseguido pela Inquisição, Hipólito exilou-se em 1805 em Londres, de onde passou a editar o Correio. O jornal defendia a abolição da escravatura, a criação da universidade e a independência do Brasil. Foi editado até 1822, num total de 175 números.

"É curioso esse início. O Correio nasceu no exílio no mesmo momento em que era criada a Imprensa Régia brasileira. A nossa imprensa nasceu com essa dupla característica: tinha um lado abolicionista e um outro chapa branca. Isso é um pouco do resumo", avalia Guto Camargo, presidente do sindicato dos Jornalistas de São Paulo. Segundo ele, por enquanto, não existe nada definido para as comemorações. "Comemoramos os 70 anos do sindicato esse ano. No próximo, tem os 200 anos da imprensa brasileira e o 30º prêmio Vladimir Herzog. Essas datas não podem passar em branco", garante.

No embalo, a ABI pretende comemorar os cem anos da entidade junto com o bicentenário. "A nossa imprensa foi tardia. A palavra atraso faz parte da nossa história. A nossa evolução política, econômica e tudo mais reflete essa característica", avalia o jornalista Audálio Dantas, vice-presidente nacional da ABI.

A FENAJ também não tem planos traçados para os duzentos anos. De acordo com o presidente, Sérgio Murrilo, a FENAJ mudará de diretoria este ano. E cabe aos novos dirigentes planejar a festa."A imprensa nasceu com um vínculo muito forte com o poder. Mas uma das características marcantes que os meios experimentaram, nos últimos 60 anos, foi a profissionalização sob todos os pontos de vista: da administração à gestão de negócios. E, principalmente, na produção editorial", avalia Murillo.

A única coisa que está no esboço até agora é o Monumento à Liberdade de Imprensa. Idealizado pela FENAJ, a idéia de se criar um símbolo que lembrasse a luta dos jornalistas não saiu do papel. Por falta de recursos, a obra está paralisada há seis anos. No local, próximo à Esplanada dos Ministérios, só há o terreno.