Avante, seu Marcos
Sobre persistência tive aula com Marcos Mariano da Silva, o homem que foi vítima do maior erro judicial do Brasil. Preso injustamente por 19 anos, ficou cego na prisão.
Atualizado em 29/05/2013 às 15:05, por
Silvia Bessa.
Marcos Mariano da Silva, o homem que foi vítima do maior erro judicial do Brasil. Preso injustamente por 19 anos, ficou cego na prisão. Ao sair, andava com a ajuda de uma bengala, demonstrava uma serenidade sacerdotal e a determinação de um fiel ávido por uma absolvição moral. Eu nunca tinha entrevistado um cidadão com o molde dele, tão confiante. “Silvia, só sossego ao vencer o último recurso e provar a minha inocência”, reafirmava. Na data na qual foi julgada a derradeira apelação do Estado no Superior Tribunal de Justiça, em 23 de novembro de 2011, Marcos Mariano da Silva morreu de infarto. Havia vencido.
A vida de seu Marcos era (é) impressionante. Ele, idem. Contra esse mecânico pernambucano nem sequer existia inquérito. Em 1976 foi preso, acusado de cometer um assassinato. “Sou inocente”, dizia. Passou seis anos confinado em um presídio. Então, o verdadeiro assassino confessou; seu Marcos foi solto. Veio o segundo erro judicial: Em 1985 mandaram prendê-lo de novo por supostamente ter violado uma liberdade condicional. “Sou inocente”, afirmava. Ficou entre os presídios Aníbal Bruno e Barreto Campelo (PE) por mais 13 anos. Certa tarde, o Batalhão de Choque tentava conter uma rebelião e, no tumulto, uma granada atingiu a visão de seu Marcos. Ele ficou cego dos dois olhos.
Em 1998, um advogado do sistema prisional acreditou em seu Marcos Mariano, conseguiu atestar o erro e soltá-lo. O Tribunal de Justiça de Pernambuco reconheceu o seu direito à indenização pelos 19 anos preso indevidamente. Neste dia (já era 2005), o desembargador Fernando Martins se levantou, apertou a mão de seu Marcos Mariano e pediu desculpas em nome do Estado. Deram-lhe o direito de receber R$ 2 milhões por danos causados. O Estado recorreu, arrastando o processo e a pobreza do ex-mecânico – agora com a ficha criminal suja.
Conversei com seu Marcos em 2005 após a publicação da decisão dos desembargadores no Diário Oficial. Escrevia na época uma série de matérias sobre o cárcere e pela primeira vez ouvi a frase dita por ele: “Tenho paciência de esperar até a última instância”. Depois o Fantástico e o programa de Ana Maria Braga publicaram matérias e o caso de seu Marcos ficou conhecido em rede nacional. “Mas, Silvia, é difícil porque, todas as vezes que dou entrevista, bandidos invadem meu casebre pensando que eu já ganhei a indenização”, relatava. “Mesmo assim, atendo todo mundo porque preciso me manter firme para provar o que quero.” E provou.
Com seu Marcos aprendi sobre persistência. E sou muito agradecida porque considero a persistência uma das qualidades mais importantes para um repórter. Acho que sem ela não há boa pauta, boa apuração nem bom texto. Hoje sei que sem persistência não se prova que uma história realmente vale a pena.

A vida de seu Marcos era (é) impressionante. Ele, idem. Contra esse mecânico pernambucano nem sequer existia inquérito. Em 1976 foi preso, acusado de cometer um assassinato. “Sou inocente”, dizia. Passou seis anos confinado em um presídio. Então, o verdadeiro assassino confessou; seu Marcos foi solto. Veio o segundo erro judicial: Em 1985 mandaram prendê-lo de novo por supostamente ter violado uma liberdade condicional. “Sou inocente”, afirmava. Ficou entre os presídios Aníbal Bruno e Barreto Campelo (PE) por mais 13 anos. Certa tarde, o Batalhão de Choque tentava conter uma rebelião e, no tumulto, uma granada atingiu a visão de seu Marcos. Ele ficou cego dos dois olhos.
Em 1998, um advogado do sistema prisional acreditou em seu Marcos Mariano, conseguiu atestar o erro e soltá-lo. O Tribunal de Justiça de Pernambuco reconheceu o seu direito à indenização pelos 19 anos preso indevidamente. Neste dia (já era 2005), o desembargador Fernando Martins se levantou, apertou a mão de seu Marcos Mariano e pediu desculpas em nome do Estado. Deram-lhe o direito de receber R$ 2 milhões por danos causados. O Estado recorreu, arrastando o processo e a pobreza do ex-mecânico – agora com a ficha criminal suja.
Conversei com seu Marcos em 2005 após a publicação da decisão dos desembargadores no Diário Oficial. Escrevia na época uma série de matérias sobre o cárcere e pela primeira vez ouvi a frase dita por ele: “Tenho paciência de esperar até a última instância”. Depois o Fantástico e o programa de Ana Maria Braga publicaram matérias e o caso de seu Marcos ficou conhecido em rede nacional. “Mas, Silvia, é difícil porque, todas as vezes que dou entrevista, bandidos invadem meu casebre pensando que eu já ganhei a indenização”, relatava. “Mesmo assim, atendo todo mundo porque preciso me manter firme para provar o que quero.” E provou.
Com seu Marcos aprendi sobre persistência. E sou muito agradecida porque considero a persistência uma das qualidades mais importantes para um repórter. Acho que sem ela não há boa pauta, boa apuração nem bom texto. Hoje sei que sem persistência não se prova que uma história realmente vale a pena.






