Atos pelo Brasil e relatório sobre ataques a jornalistas na Amazônia marcam um ano dos assassinatos de Bruno e Dom
Neste dia 5 de junho, data em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente e que marca um ano dos assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips, foram realizados atos por todo o país exigindo julgamento célere dos acusados pelo crime, além de políticas de proteção de profissionais de imprensa e defensores de direitos humanos.
Atualizado em 05/06/2023 às 17:06, por
Redação Portal IMPRENSA.
Realizados em Brasília, Rio de Janeiro, Campinas, Belém, Salvador, Amazonas e em Londres, os protestos reuniram familiares das vítimas, jornalistas, ambientalistas e organizações de defesa da liberdade de imprensa. Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil Ato em Copacabana, no Rio de Janeiro, marca um ano dos assassinatos de Bruno Pereira e Dom Phillips Em São Paulo, uma entrevista coletiva sobre as investigações do crime e outros ataques contra jornalistas na Amazônia foi concedida por representantes de veículos de notícias e associações de jornalismo na sede do Instituto Vladimir Herzog.
Relatório
Durante a coletiva foi divulgado um relatório da Repórteres Sem Fronteiras. O levantamento aponta que, desde o crime até maio último, houve ao menos 62 casos de ataques contra jornalistas na Amazônia.
Segundo as informações, que fazem parte do Observatório de Violações da Liberdade de Imprensa na Amazônia, houve na região 13 casos de agressão física, cinco ameaças de morte, três atentados a sedes de veículos e quatro processos judiciais contra jornalistas considerados arbitrários.
Artur Romeu, da Repórteres Sem Fronteiras, informou que os agressores são manifestantes de extrema-direita, políticos, membros do crime organizado, além de empresas de mineração, garimpo e até turismo.
Os participantes da coletiva de imprensa também lembraram que a Justiça Federal no Amazonas ainda não decidiu se os acusados serão levados a júri popular e que o processo voltou à fase de oitivas, medida considerada um retrocesso para a elucidação dos motivos do crime. Também foi criticada a demora do Brasil em prestar esclarecimentos sobre o caso à CIDH (Corte Interamericana de Direitos Humanos).
Bruno e Dom foram mortos na Terra Indígena Vale do Javari, situada na cidade de Atalaia do Norte, no estado do Amazonas. O crime ocorreu durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, quando ambientalistas e os povos indígenas sofreram uma série de ataques.
Linha de frente
“É um dia de muita dor para quem acompanha e investiga os assassinatos de Dom e Bruno. Nós, jornalistas da linha de frente, sentimos muito porque estamos sempre cobrindo a Amazônia, a violação de direitos, as ameaças aos povos indígenas, ribeirinhos e quilombolas. É preciso que haja justiça nesse caso”, afirmou a jornalista Kátia Brasil, uma das fundadoras da agência de notícias Amazônia Real.
Raquel da Cruz Lima, da organização Artigo 19, afirmou que, de 26 de fevereiro até agora, a despeito de uma determinação da CIDH para que o Brasil criasse um mecanismo de proteção a 11 pessoas ameaçadas no Vale do Javari, "tudo que o governo fez foi pedir a prorrogação do prazo".
A entrevista coletiva também contou com participação de Rodrigo Portella, do Observatório do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Segundo ele, a pasta vai lançar um portal de denúncias de agressões e crimes contra profissionais da imprensa.





