Ataques sofridos por jornalistas e representatividade marcam a celebração do Troféu Mulher IMPRENSA
A cerimônia da 16ª Edição do Troféu Mulher IMPRENSA foi realizada na noite da última sexta-feira (16), no Auditório da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), em São Paulo.
Sinval Itacarambi Leão, diretor da revista IMPRENSA, parabenizou as vencedoras e condenou os ataques direcionados à jornalista Vera Magalhães, em especial nos últimos dois debates entre os presidenciáveis e entre os candidatos ao Governo de São Paulo.
Sinval evidenciou ainda que a criação do Troféu Mulher IMPRENSA se deu antes da criação da Lei Maria da Penha, corroborando para que a pauta de gênero também fosse levada em conta dentro das redações. “Prezadas Jornalistas, o evento de hoje é um fato particularmente significativo e tem um sabor de liberdade recuperada após um período em que estivemos distantes uns dos outros. Esta noite é dedicada a todas as profissionais da nossa imprensa que detêm um compromisso de legitimar diariamente uma atividade corajosa e imprescindível” disse. Durante o discurso, Sinval celebrou os 35 anos da revista IMPRENSA e o centenário do Rádio no Brasil.
Leticia Afonso, responsável pela comunicação corporativa da Bayer, reafirmou o compromisso da empresa com iniciativas que promovem, inclusão, diversidade e empoderamento. “Apoiar ações como a desta noite começa dentro da Bayer, com a nossa equipe. Apostamos em inovação e queremos vozes diversas construindo um cenário possível para todos. Mulheres precisam ter voz em todas as áreas do mercado e que essas vozes sejam multiplicadas nesses espaços”, disse.
A comemoração
A primeira jornalista a receber o prêmio na noite pela categoria Âncora, apresentadora e Comentarista de TV, foi Aline Midlej, da Globonews que ressaltou a relevância das mulheres na cobertura de assuntos de grande impacto no cenário político e econômico brasileiro. “Sigo depois de 17 anos (formada) ainda movida pela paixão, pelo idealismo e pela inquietude da profissão”.
Kerena Neves levou o prêmio na categoria Consultora de Comunicação em Agência. A jornalista trouxe em seu discurso o impacto da nova geração de mulheres, que apesar de jovens, trazem muita competência e novas ideias para as redações. “Eu tenho 30 anos e desde os 26 integro a equipe da WMcCann - já tive minhas competências questionadas por conta da idade e esse prêmio me faz acreditar que estamos no caminho certo, com amor dedicação e competência”, finalizou.
Na categoria Comunicação Pública, a vencedora foi Hélia Araújo, do Governo do Estado de São Paulo. Durante o discurso, a jornalista estendeu a homenagem às mais de 300 mulheres que compõem a comunicação do Governo. “A comunicação pública é vista, muitas vezes, como enviesada, mas é justamente ela que estimula o debate e o combate às fake news”, defendeu.
Renata Lo Prete, recebeu o prêmio pelo trabalho desenvolvido no Podcast “O Assunto” na categoria Criadora de Novos Formatos e agradeceu especialmente aos ouvintes que, segundo ela, foram os grandes responsáveis pelo sucesso do produto. “Foram 22 milhões de downloads nos últimos três anos do Assunto e eu sou muito grata por isso. O trabalho não determina quem nós somos. O que nós somos é que determina o trabalho que vamos fazer”, finalizou.
A repórter Raquel Krahenbuhl, correspondente da Globo na Casa Branca e ganhadora da categoria Repórter de TV, enviou um vídeo de Washington agradecendo a premiação e falou sobre o estilo de cobertura cada vez mais humanizado que tem feito sobre a política americana.
A colunista da Folha de S. Paulo, Mariliz Pereira Jorge, disse em discurso emocionado que é importante receber o reconhecimento, num momento em que tanto ela quanto outras jornalistas sofrem ataques recorrentes pelo teor do que escrevem. “Hoje é uma noite de celebração, mas de reflexão também. Mulheres livres e independentes são uma ameaça para os governos autoritários, mas não recuaremos”, disse.
Diversidade
A representatividade marcou a 16ª edição do prêmio este ano. Das 16 vencedoras, oito são mulheres negras (pretas e pardas) e/ou LGBTQIA+, e várias representantes de outros estados fora do eixo Rio-São Paulo.
Na categoria Diversidade quem levou o prêmio para o jornal Estado de Minas foi Márcia Maria Cruz. “A diversidade precisa estar em todas as editorias desde a construção da pauta. Só assim teremos uma comunicação guiada pelo respeito e para todas e todos”, afirmou.
A jornalista Semayat Oliveira, do Nós, Mulheres da Periferia, foi a ganhadora da categoria Liderança. Em discurso, apontou para a relevância de um veículo gerido majoritariamente por profissionais periféricas que há oito anos escuta mulheres como fonte para as pautas veiculadas no site.
Vencedora pela categoria Consultora Corporativa, a Jornalista Márcia Silveira, dividiu com a plateia a mudança de perspectiva que a premiação representa “Isso é pertencimento! É mostrar que uma grande empresa pode ser liderada, e muito bem, por uma mulher negra”, disse emocionada.
Crédito:Deka Carvalho/ Portal IMPRENSA
Com um discurso cheio de ancestralidade, a vencedora da categoria Fotojornalista, Marcela Bonfim, que reside em Rondônia, falou sobre como reconhecer-se parte dos territórios quilombolas e indígenas foi o ponto de partida para moldar sua comunicação por meio da visualidade.
Ao receber o troféu das mãos de Carlos Alberto Sardenberg, a vencedora da categoria Repórter de Jornal, Nayara Felizardo, do The Intercept Brasil para regiões norte e nordeste, falou sobre as subjetividades do jornalismo realizado fora dos grandes centros e sobre a importância da comunicação feita com diversidade. “É um orgulho imenso receber essa premiação com a representatividade de ser uma mulher negra, lésbica e nordestina”, disse.
A jornalista Luana Souza, veio da Bahia para receber o prêmio na última sexta-feira e afirmou que se sente grata pelos avanços que a população preta tem realizado, mas reconhece que ainda há muito trabalho pela frente para que as redações dos jornais e revistas sejam de fato, espaços equitativos.
O grande prêmio do Troféu Mulher Imprensa de contribuição ao jornalismo foi conferido à jornalista Zileide Silva que enviou um vídeo em agradecimento pelo reconhecimento, não sendo possível deixar Brasília em período pré-eleitoral.
Novidade no prêmio
Pela primeira vez desde a criação do prêmio, os internautas tiveram a chance de indicar uma jornalista para a categoria pertencimento e inovação - a vencedora foi Ana Carolina Negrão, do Portal da Cidade Guaxupé, de Minas Gerais. “Esse prêmio é um incentivo para que mulheres do interior continuem trabalhando com ética e coragem”, disse.
Mulheres no rádio
Neste ano foram premiadas duas jornalistas da rádio Bandnews FM. Quem levou o prêmio na categoria Repórter de Rádio foi Sheila Magalhães, que ressaltou a importância dos ouvintes que seguem fiéis ao veículo, mesmo em meio a concorrência com os podcasts e novos formatos de mídia.
A jornalista Carla Bigatto, da Bandnews FM recebeu o troféu pelo 5º ano consecutivo na categoria Âncora de rádio e será nomeada “madrinha” no próximo ano ao lado das jornalistas Eliane Brum, Lucia Hippolito, Mônica Bergamo, Miriam Leitão e Sonia Blota, integrando o júri permanente.
A galeria de fotos da Cerimônia pode ser conferida .






