Ataques de Trump à credibilidade da imprensa são perigosamente eficazes, segundo relatório do CPJ
O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) lançou hoje (16) o relatório “The Trump Administration and the Media” (A administração Trump e a mídia, em livre tradução), que traz um olhar aprofundado sobre como a retórica vinda da Casa Branca, incluindo os ataques do presidente à credibilidade da imprensa, é ‘perigosamente’ eficaz.
Atualizado em 16/04/2020 às 15:04, por
Redação Portal IMPRENSA.
Crédito:Reprodução / site CPJ
“A administração Trump tem ampliado as acusações às fontes de notícias, interferido nos negócios de proprietários de mídia, assediado jornalistas que cruzam as fronteiras dos Estados Unidos, e empoderado líderes estrangeiros a restringir sua própria mídia. Mas a manobra mais eficaz de Trump tem sido destruir a credibilidade da imprensa, perigosamente minando a verdade e o consenso, mesmo quando a pandemia da COVID-19 ameaça matar milhares de americanos”, destaca o relatório, que foi escrito por Len Downie, antigo editor executivo do The Washington Post, e inclui entrevistas com mais de 40 jornalistas, especialistas em direito da mídia, acadêmicos, e oficiais administrativos. A pesquisa foi conduzida por Stephanie Sugars, repórter do U.S. Press Freedom Tracker.
O relatório afirma que o fluxo de informação é ‘congelado’ pelas ameaças do presidente de retaliação legal e boicotes à cobertura crítica, bem como pela acusação agressiva dos que vazam informações sensíveis para a mídia. A administração Trump indiciou oito funcionários do governo e terceirizados por alegação de vazamento, além de Julian Assange, cujo caso tem ramificações alarmantes para a indústria de notícias.
Joel Simon, diretor executivo do CPJ, lembra das pressões diárias, insultos e abusos vindos do presidente Trump, e reforça o impacto desses ataques à mídia. “Eles têm minado a confiança do público no jornalismo como uma instituição, um ‘lugar perigoso’ para estarmos em meio a uma emergência de saúde pública. E têm empoderado autocratas ao redor do mundo, que estão reprimindo ferozmente a liberdade de imprensa em um período no qual a informação verdadeira é mais do que nunca uma commodity preciosa”, esclarece Simon.
O relatório inclui também uma lista de recomendações à administração Trump, que incluem se posicionar publicamente pela liberdade de imprensa, melhorar o acesso à informação, e por um fim à prática de sentenciar os acusados de vazar informações sensíveis aos jornalistas. Hoje pela manhã, o CPJ enviou uma carta à Casa Branca com uma cópia do relatório, solicitando uma reunião.
Confira o relatório no .





