Ataques à imprensa motivam pelo menos dez dos pedidos de impeachment de Jair Bolsonaro na Câmara
Ofensas a jornalistas, ameaças a veículos de comunicação, perseguição e outras atitudes do presidente são citadas por autores das ações envi
Uma iniciativa da Agência Pública reuniu de impeachment do presidente Jair Bolsonaro enviados ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e recebidos pela casa só até meados de agosto deste ano.
Crédito:Agência BrasilAo todo, 1458 pessoas e organizações assinaram os pedidos que citam os mais diversos crimes previstos na , e os ataques a jornalistas e à liberdade de imprensa estão presentes em pelo menos dez das ações.
Por meio da ferramenta criada pela Agência Pública, é possível saber que atitudes do presidente foram vistas como crimes que podem levar a sua saída do cargo, além de conhecer mais sobre os autores das ações de impeachment.
Para aqueles que citam ataque à liberdade de imprensa, as atitudes mais comuns de Bolsonaro são ofensas e insultos a jornalistas, descredibilização de veículos de comunicação, ameaça de não renovação de concessão ou de exclusão em processo licitatório, perseguição e outros.
Conheça todos os pedidos que citam o termo “imprensa” em seus argumentos para a saída de Jair Bolsonaro do cargo:
Pedido 004, de autoria de Flávia Pinheiro Froés, advogada e representante do Instituto Anjos da Liberdade
Em análise há 362 dias, acusa o presidente de ter interferido nas investigações da Polícia Federal sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco; de “fazer apologia” ao AI-5; de dar ordem direta para excluir a Folha de São Paulo de um processo licitatório (apesar de ter recuado posteriormente) e de ameaçar usar processos fiscais contra as Organizações Globo.
O documento cita também vídeo publicado no Twitter do presidente em que os jornais Folha de S. Paulo, Estado de S. Paulo, a emissora Globo e instituições como o Supremo Tribunal Federal são apresentados como hienas a serem combatidas por um leão, que simboliza Jair Bolsonaro.
Outra prova apresentada é o cancelamento de assinaturas de jornais e revistas por parte do Planalto e a ameaça de encerramento de contratos de publicidade com emissoras.
Pedido 006 - João Carlos Moreira, militar aposentado
Em análise há 253 dias, elenca mais de 30 crimes que o presidente teria cometido, desde menções de conotação sexual à jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de São Paulo, à afirmação, considerada “leviana”, sobre a jornalista Miriam Leitão ter inventado sua tortura durante a ditadura civil-militar.
Pedido 009 – Sidney Duran Gonçalez, advogado
Em análise há 231 dias, acusa Bolsonaro de quebra de decoro e de atentar contra o Estado Democrático. O pedido apresenta reiteradas ofensas e ataques à imprensa, como o caso das jornalistas Vera Magalhães, do Estado de São Paulo, e Patrícia Campos Mello, da Folha de S Paulo.
Pedido 0011 - Neide Liamar de Souza, economista
Em análise há 229 dias, acusa o mandatário de incentivo às aglomerações que contrariam recomendações do Ministério da Saúde, disparo de mensagens falsas em massa nas eleições gerais de 2018, ameaças à democracia e à liberdade imprensa, abuso de poder e quebra de decoro.
A economista cita a pesquisa da Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ), que aponta que o presidente insulta jornalistas ao menos duas vezes por semana.
Pedido 0012 - Fernanda Melchionna, Sâmia Bomfim e David Miranda, deputados federais (PSOL)
Em análise há 223 dias, cita ataque à liberdade de imprensa, ataque a direitos constitucionais das mais variadas formas, interferência política na Polícia Federal, a constituição de uma organização criminosa como o ‘Gabinete do Ódio’, entre outros.
Pedido 0014 - Bruno Espiñeira, Víctor Quintiere, Thiago Pádua e José Rossini, advogados
Em análise há 216 dias, acusa Bolsonaro de violação da Constituição Federal “quando ele trata a imprensa de uma forma covarde e indevida, criminosa”; de conduzir o país, no que tange à pandemia de COVID-19, de maneira a potencializar o contágio; e de se referir à Ditadura de 64 com desprezo pela democracia e liberdades fundamentais.
Pedido 0015 - André Luiz Moura de Oliveira, funcionário público
Em análise há 216 dias, o pedido cita a agressão à repórter Patrícia Campos Mello no contexto da insinuação de que ela teria trocado serviços sexuais por informações jornalísticas, considerado modo “incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo”.
Pedido 0017 - José Manoel Gonçalves, engenheiro
Em análise há 191 dias, denuncia a “irresponsabilidade” de Bolsonaro ao desincentivar o isolamento social, além de outras dezenas de crimes. Ele cita ofensas à jornalista Miriam Leitão, da TV Globo; ameaças ao jornalista Glenn Greenwald; perseguição contra o Valor Econômico, à TV Globo e à Folha de São Paulo, entre outras situações.
Pedido 0018 - Valdir Barbosa De Medeiros, sindicalista
Em análise há 194 dias, denuncia ataques à democracia, às instituições e ao Estado Democrático e à imprensa, como os insultos às jornalistas Vera Magalhães [do Estado de S Paulo] e Patrícia de Campos Mello [da Folha de S Paulo].
Valdir pontua que Bolsonaro constantemente ataca e ofende a imprensa e, ao perseguir veículos com cortes de verbas constitucionais, feriu o princípio da moralidade administrativa e pessoalidade.
Pedido 0025 - PSB
Em análise há 187 dias, elenca crimes “contra a Federação e a liberdade de imprensa”. Cita também o apoio e participação do presidente em manifestações com ameaças à independência dos Poderes Legislativo e Judiciário.





