Assassinos de Khashoggi fizeram curso nos EUA autorizado pelo Departamento de Estado
Em furo de reportagem publicado nesta quarta-feira (23 de junho), o New York Times revelou que quatro sauditas que participaram do assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, em 2 de outubro de 2018, fizeram um treinamento nos Estados Unidos um ano antes do crime.
Atualizado em 23/06/2021 às 17:06, por
Redação Portal IMPRENSA.
Segundo a reportagem do Times, eles fizeram um curso paramilitar no estado do Arkansas que tinha autorização do Departamento de Estado dos EUA. O curso foi ministrado por uma empresa de segurança chamada Tier 1 Group, que por sua vez é controlada por outro grupo do setor conhecido como Cerberus Capital Management. Crédito:Reprodução Príncipe saudita é acusado por observadores internacionais de ordenar o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi
O texto do New York Times ressalta que a autorização do Departamento de Estado para o curso foi dada no fim do governo de Barack Obama e que o treinamento ocorreu efetivamente no primeiro ano do governo de Donald Trump.
O curso incluía táticas de vigilância e de contra-ataque, além de aulas de tiro e de luta de “natureza defensiva”. Segundo a reportagem, o conteúdo foi pensado para capacitar os profissionais que atuavam na proteção de líderes sauditas.
Não há nenhuma evidência de que o Departamento de Estado dos EUA ou a empresa que deu o curso sabiam que os quartos sauditas acusados pelo crime teriam algum tipo de envolvimento no assassinato do jornalista. Porém, a revelação lançou nova luz sobre a proximidade do governo americano com o regime saudita, a despeito de recorrentes acusações de violação de direitos humanos por parte dos líderes do país árabe.
Khashoggi foi morto dentro do consulado da Arábia Saudita em Istambul, na Turquia, e seu corpo – que teria sido desmembrado – nunca foi localizado. Colunista do Washington Post, o jornalista era árabe e um crítico ferrenho do regime saudita. Jornalistas e entidades de defesa da liberdade de imprensa de todo o mundo acusam o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman de ter ordenado o crime.





