Assassinato de João Pedro levanta debate sobre forma como imprensa cobre violência na periferia

Ocorrido em São Gonçalo (RJ), durante operação policial, o assassinato do menino João Pedro, de 14 anos, enquanto brincava em casa com primos, ganhou as manchetes nesta terça (19).

Atualizado em 20/05/2020 às 12:05, por Redação Portal IMPRENSA.


A ausência do termo 'assassinato' na cobertura do caso por grande parte da imprensa gerou críticas contundentes de uma jornalista com experiência em comunidade e periferia.
Repórter do Favela em Pauta, correspondente internacional da Agência Jovem e colunista do Voz da Comunidade, Mariana Assis observou que "diversos jornais referiram-se ao assassinato do João Pedro como 'morte'. Não foi. E isso faz muita diferença". Crédito:Renato Moura/Reprodução Voz das Comunidades Em maio de 2019, Mariana escreveu um artigo para o Voz da Comunidade "discutindo o quão danoso e irresponsável é não chamar os fatos pelo nome adequado".
No texto, ela critica a imprensa por adotar um modo de noticiar "pouco informativo e compromissado", que "continua sendo usado mesmo com todos os índices de letalidade alcançando níveis alarmantes".
Ao não usar as palavras adequadas ("assassinato", "metralhado", "execução" etc), a imprensa exibiria "seletividade de importância de vidas".
"A irresponsabilidade da imprensa em retratar os casos de violência no Rio desorienta, é pouco eficiente e anestesiante", criticou a repórter e colunista.