"As pessoas querem entender, mas os jornalistas complicam", diz o ambientalista Dan Robson

"As pessoas querem entender, mas os jornalistas complicam", diz o ambientalista Dan Robson

Atualizado em 23/03/2011 às 17:03, por Luiz Gustavo Pacete/Redação Revista IMPRENSA e  de Jundiaí (SP).

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Tudo começou com uma garrafa PET que virou um flutuador e se transformou em um dos principais cases de conscientização ambiental repercutido na mídia paulista em 2009. O Flutuador do Rio Tietê, veiculado no jornalístico regional "SPTV" da Globo foi criado pelo analista de sistemas, atleta e ambientalista Dan Robson.

Alf Ribeiro
Dan Robson

No projeto, Robson juntou esportes radicais com iniciativas científicas e ambientais. Seu objetivo era navegar pelo Rio Tietê e medir o nível de contaminação da água. Utilizando uma garrafa PET à deriva e um GPS, Robson acompanhou as água de diversas partes do rio. O projeto chegou até a Globo e virou um quadro especial.

Robson foi premiado na Holanda e nos Estados Unidos pela iniciativa. Na última terça-feira (22), em Jundiaí (SP), fez sua primeira palestra voltada para jornalistas no 6º Fórum Água em Pauta, realizado pela revista e Portal IMPRENSA.

Ao Portal IMPRENSA Robson destacou a importância na mídia em repercutir questões ambientais e observou que os jornalistas ainda precisam ser mais claros na hora de falar sobre o tema. "O jornalismo ajuda a criar uma consciência. Mas precisa repetir constantemente para que as pessoas não se esqueçam da importância de preservar as águas". Veja trechos da conversa.

IMPRENSA - O projeto surgiu de uma garrafa PET e um GPS. É isso?
Dan Robson -
Eu sempre realizava minhas viagens com um objetivo científicos e ambientais. O Flutuador do Rio Tietê nasceu em 2009. Era um projeto simples. A ideia era navegar e entender o curso do Tietê e o que influencia este curso, utilizando uma garrafa PET e um GPS. Quando estávamos formatando o projeto um amigo meu disse que a Globo estava fazendo algo parecido.

IMPRENSA - Como você chegou até a emissora?
Robson -
Eu já tinha contato com eles desde 2000. Meu interesse com a emissora sempre foi de divulgar projetos. Eles viram o projeto e pediram pra eu esperar. Ao invés de usarmos a garrafa, um engenheiro desenvolveu um flutuador e eu fiquei responsável pela navegação.

IMPRENSA - Qual foi o papel da mídia na repercussão do projeto?
Robson -
Foi fundamental! Ele se transformou em case de escolas municipais. Muitas pessoas não entendiam, e ainda não entendem, a relação entre a poluição do rio e o simples ato de jogar lixo na rua. Depois da exibição do projeto muitas pessoas me procuraram dizendo que deixariam de jogar lixo no Rio.

IMPRENSA - Você acabou dando muitas entrevistas por causa do projeto. O jornalismo tem ajudado na conscientização?
Robson -
É a primeira vez que falo para jornalistas como palestrantes [no 6º Fórum Água em Pauta]. E eu percebo, muitas vezes, que quando tratamos do tema saneamento ou meio ambiente as pessoas têm necessidade de saber mais, só que os jornalistas complicam utilizando termos técnicos. Acho que clareza e proximidade ajudam. Foi isso que aconteceu no meu caso.

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