“As pessoas estão prontas para ler vários tipos de conteúdo”, diz editora do BuzzFeed Brasil

BuzzFeed prepara para montar um escritório próprio no Brasil

Atualizado em 04/09/2014 às 14:09, por Gabriela Ferigato.

Pulseirinhas de miçangas, bicos de pato, gargantilha de tatuagem tribal, melissa com meia. Esses itens, dentre muitos outros, fizeram várias garotas dos anos 1990 voltarem no tempo. Foi também o mais acessado da versão brasileira do BuzzFeed, somando mais de um milhão de visitas. Crédito:acervo pessoal Manuela Barem é editora do veículo desde fevereiro deste ano
Em outubro de 2013, o site ganhou sua versão traduzida para o português. Quase um ano depois, a empresa se prepara para montar um escritório em São Paulo. Por ora, a equipe é composta por quatro pessoas. De acordo com a editora Manuela Barem, a produção diária do veículo varia entre 10 e 12 posts , sendo em média oito de produção própria.

“Nós percebemos que o que engaja muito é o conteúdo que mexe com nostalgia e humor, do tipo que ri de si próprio. Essa é a nossa ideia para formar a identidade do site no Brasil: refletir o que temos de cultura e que é muito particular”, destaca Manuela.
Nos Estados Unidos, o BuzzFeed tem atualmente mais de 150 milhões de visitantes únicos por mês. A empresa ainda não divulga seus números no Brasil, mas a quantidade de acessos nas matérias e o compartilhamento dessas nas redes sociais dão uma boa ideia desse cenário.
IMPRENSA - Que tipo de conteúdo deu certo no Brasil? Manuela Barem - Nós percebemos que o que engaja muito é o conteúdo que mexe com nostalgia e humor, do tipo que ri de si próprio. Essa é a nossa ideia para formar a identidade do site no Brasil: refletir o que temos de cultura e que é muito particular. Um exemplo é o post intitulado “ ” ou “ ”. Nesse último, um dos itens citados é colocar roupinha de crochê no liquidificador. Isso é muito Brasil e, às vezes, as pessoas não percebem que quase todo mundo já teve. É engraçado.
Vocês já começaram a produção de matérias jornalísticas? Já e são postadas diariamente em nosso site, mas às vezes não “bombam” tanto quanto um post de nostalgia, por exemplo.

Como o BuzzFeed está cobrindo as eleições deste ano? Estamos cobrindo em todas as vertentes em que atuamos: nas reações de internet, fazendo compilações bem-humoradas das campanhas e apurações originais. Nesse último ponto, o jornalista Rafael Capanema descobriu que um comercial de TV da campanha da presidente Dilma Rousseff reproduz uma ficha falsa que começou a circular em 2008 atribuindo a ela participação em ações contra a ditadura. Ele descobriu isso e apurou. A diferença é que colocamos um gif na . É um jeito interessante de trabalhar o jornalismo.

Qual o diferencial dessa cobertura? Todos os veículos estão acompanhando as eleições, mas acreditamos que o nosso jeito de cobrir e de informar pode acrescentar nesse processo. Pode ser um diferencial apenas pelo formato em si. Quando você usa uma lista pra tentar promover mais educação com relação à democracia e informação sobre eleição, acredito que pode ser uma boa participação, algo exclusivo.

E como vocês lidam com a linguagem em matérias mais “sisudas”? Não temos problema nenhum em fazer o público diferenciar um post sério de um de humor. As pessoas entendem claramente a diferença. Todos os nossos títulos, sendo de humor ou não, são fortes e diretos. Vendemos muito bem o conteúdo. Teve uma do jornalista Iran Giusti sobre detalhes do plano de governo de cada candidato, para tentar contribuir para a educação e informação do leitor. Outro post, o “ ” foi muito lido, com mais de 300 mil visualizações. É um sinal que as pessoas estão prontas para ler vários tipos de conteúdo. Não tivemos que quebrar a cabeça para pensar em como falar sério.

Você acredita que o brasileiro é criativo na produção de listas? Acho que o brasileiro chega a ser até mais criativo que o americano. O formato de listas chegou para nós há, no máximo, três anos, mas nossa internet é criativa há muito mais tempo. O Orkut é prova disso. Os americanos não usaram a rede social de uma forma tão louca como nós usamos. Criamos um nível de interatividade que é impressionante.

Você tem algum receio que um dia as pessoas possam se cansar do formato de lista? Acho que o BuzzFeed já pensa nisso. Hoje eu não tenho medo, porque sempre acompanhamos e estudamos as tendências da internet. O BuzzFeed, por exemplo, começou com o formato de lista corrida. Depois entrou o Quiz, que evoluiu para o Checklist . O tempo todo o formato vai se adaptando ao leitor.