As histórias de quem não tem voz junto à imprensa

Em dezembro deste ano, Rita Frazão, estudante de Jornalismo pela Universidade Paulista – UNIP de Brasília, defendeu seu TCC. Seu livro-reportagem “Um olhar sensível – A história de quem não tem voz junto à imprensa” conta histórias de pessoas que foram marginalizadas, em um passado recente, na capital federal.

Atualizado em 21/12/2017 às 15:12, por Redação Portal IMPRENSA.

Conheça aqui os bastidores desta “História de TCC”.
Crédito: Divulgação

Sobre o trabalho Histórias de vidas: esse é o principal foco do livro-reportagem, que traz narrações de pessoas que estiveram na ocupação do Torre Palace Hotel, em Brasília, de 2015 a 2016. O livro, que busca ser um contraponto à forma como a mídia tradicional apresentou pessoas do Movimento Resistência Popular pelo Direito à Cidade (MRP), traça o perfil destes militantes e sua busca por direitos assegurados pela Constituição Federal. Meu objetivo é revelar, de uma forma mais humana e sensível, a história dos militantes, descontruindo, ao menos um pouco, a imagem marginalizada criada em torno da ocupação do Torre Palace Hotel.
Dar voz e rosto a pessoas socialmente invisíveis, mostrando-os como ser humano, não é algo comum na mídia tradicional. As histórias de pessoas excluídas são apresentadas como adereços, ocupando um espaço pouco relevante no noticiário local e nacional. Não há o embasamento necessário para explicar o porquê das ocupações; a vivência desses militantes e nem o histórico dos movimentos aos quais estão relacionados. Eles são apresentados como párias, ameaças ao direito à propriedade privada.
Nos comentários das notícias sobre movimentos de ocupação, os leitores costumam postar termos ofensivos - “vândalos”, “agressivos”, “marginais”, “preguiçosos” e muitos outros adjetivos que ferem o valor dessas pessoas como seres humanos. Foi o que aconteceu com o Movimento Resistência Popular (MRP) durante a operação de evacuação do Torre Palace Hotel.
O que a imprensa não disse é que o MRP “briga” por um direito que a própria Constituição brasileira de 1988 prevê em seu artigo 6º, que garante os “direitos sociais à educação, à saúde, à alimentação, ao trabalho, à moradia, ao transporte, ao lazer, à segurança, à previdência social, à proteção, à maternidade e à infância, à assistência aos desamparados”. Especificamente em relação ao direito à moradia, existe um absentismo de políticas públicas, que acaba ferindo os direitos de quem não tem um teto.
Meu objetivo com este livro é sensibilizar os leitores, incentivar debates sobre o assunto e, quem sabe, ajudar a diminuir a discriminação em relação aos que são marginalizados.
Desafios que enfrentou ao longo da produção do TCC Os principais desafios foram a questão do tempo e as incertezas dos personagens. No começo estava tudo certinho, havia localizado uma fonte que me levaria aos outros personagens do livro. Porém, houve algum erro de comunicação e o entendimento do significado do trabalho. Já na defesa do projeto estava desanimada, pois não tinha certeza se conseguiria concluir o que idealizei no começo. A minha orientadora foi primordial no processo, pois em momento algum me desanimou. Prestes a completar um mês para a entrega final do trabalho, consegui localizar outra fonte, que me levou a todas as demais que fazem parte do livro. Em um mês, praticamente, concluí o trabalho de quase um ano. Foi um alívio, porém me desgastou muito. Precisei conciliar o horário de estágio (na época fazia dois), as outras disciplinas da faculdade e o dinheiro para me locomover, fora o que foi gasto com a produção. Apesar de ser um trabalho simples, saiu caro. Mas não me arrependi em momento algum, porque é uma causa que acredito ser justa.
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Os aprendizados O aprendizado que levo é o que consegui apurar por não ter desistido no primeiro obstáculo. Apesar das dificuldades e das dúvidas que caminhavam para a não conclusão do trabalho, consegui conciliar (apesar da loucura) os prazos e não me conformei em escutar apenas um lado. Fui atrás, persisti e acho que dei o meu melhor.
O significado dessa experiência É difícil descrever o que a conclusão representa para mim, tão jovem e a “novata’’ chegando ao mercado de trabalho. Acredito que o maior significado foi a forma de utilizar recursos jornalísticos para apresentar vidas que jamais tiveram um olhar cauteloso na imprensa. A gratidão resume o que estou sentindo. Essa experiência me levou a ter sensibilidade em relação a tudo o que leio e a motivação de continuar atuando em prol de causas sociais.
Conselhos para quem está fazendo o TCC agora Sempre vamos ter a visão de que o TCC é uma coisa de outro mundo. Talvez isso seja verdade, mas, ao final, quando você consegue ver o resultado, é gratificante e o sentimento de felicidade predomina. E por mais difícil que possa ser, afinal não temos tudo a nosso favor, não desista! Se é o que seu coração deseja, lute e vá até o final, porque o resultado, sem dúvida, é a melhor coisa e você vai pensar: “Puxa! Eu consegui fazer isso mesmo? Uau!’’.

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