As dúvidas que os números provocam - por Amaro Junior/UniNiltonLins (AM)
As dúvidas que os números provocam - por Amaro Junior/UniNiltonLins (AM)
Conversando com alguns amigos sobre a política local, comecei a observar o quanto as pesquisas realizadas influenciam os eleitores que ainda não se decidiram em que candidato votar.
Números que são colocados em manchetes de jornais, deixam estampadas situações que na maioria das vezes não condizem com a realidade. Técnicas de pesquisas não são respeitadas por instituições que não tem a mínima qualificação para atuar no mercado.
Prestem atenção nestes números. Você sabia que no Brasil...500 mil prostitutas são meninas, 30 milhões de mulheres foram esterilizadas, 30% dos menores infratores internados na Febem (São Paulo) têm o vírus da Aids, a evasão escolar é de 25%, o fisco perde 50 milhões de dólares por dia em contrabando de armas e drogas não confiscadas pela polícia, os menores de rua e/ou carentes variam de 1 milhão a 30 milhões, e que os abortos dos quais somos campeões mundiais somam 3 milhões por ano?
Se você tem conhecimento de alguns desses números é por que lê jornais, revistas ou se informa pelo rádio ou TV. Leia, mas não creia. Esses números são apenas alguns exemplos da união matreira de fontes de informação levianas e a imprensa que, por natureza, caça algarismos de impacto para embalar as notícias.
Um cuidado que a mídia brasileira ignora é o de checar com a fonte a origem dos números que ambos divulgam. Quem contou? Sob esta pergunta simples, números fantásticos, como, por exemplo, o de 3 milhões de abortos clandestinos, estariam em xeque.
O primeiro responsável pelos números duvidosos é o governo, cujo serviço de estatística, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é precário, lento, e ainda foi desmontado no governo Collor a ponto de realizar o censo de 1990 em 1991. Na falta de dados oficiais confiáveis, lobbies de um lado, interessados em aval social para suas campanhas e a imprensa do outro, sempre disposta a engrandecer em suas manchetes números que repercutam na curiosidade do público.
A experiência mostra que a checagem pode transformar números gigantescos em algarismos mirins. Foi o que fez a psicóloga social Fúlvia Rosenberg de São Paulo, segundo o Estadão, ao rastrear o divulgadíssimo número de 500 mil meninas prostituídas alardeado pelo Unicef, o respeitável fundo das Nações Unidas para infância e, claro, repetido à beça pela mídia. Fúlvia concluiu que o número não tem pedigree. O pesquisador Sérgio Costa Ribeiro, do Rio, baixou para 2% a evasão escolar dada como de 25%.
Números como os do Unicef sobre prostituição infantil aparecem nos jornais com selo oficial, mas isso não lhes dá credibilidade. Estão enraizadas na mídia as famosas "recomendações da ONU". A organização recomenda mesmo uma farmácia para cada grupo de 10 mil habitantes, e que as cidades devem ter no mínimo 12 m2 de área verde por pessoa? À imprensa não cabe checar pesquisas, mas deveria explicar, nas matérias, a ascendência dos numerões que aterrorizam ou encantam o público. Publicado uma vez, o número bombástico é adotado pelo conjunto da mídia, robustece "denúncias" e "estudos sociais". Há números, por mais respeitável a fonte, que clamam explicação. É o caso de cifras oficiais - nem o governo as domina e, quando domina, manipula, como as de perda de reservas, Previdência Social, etc.






