As aventuras de Ki Fornari no surfe e o desafio do dentista que se tornou jornalista
Crédito:Arquivo Pessoal Ondas por todos os lados Nascido em uma família de automobilistas, o gaúcho Ki Fornari não seguiu a tradição iniciada com o avô Breno Fornari, lendário piloto de corridas.
Nascido em uma família de automobilistas, o gaúcho Ki Fornari não seguiu a tradição iniciada com o avô Breno Fornari, lendário piloto de corridas. Na verdade, ele queria ser publicitário, mas tornou-se sócio da empresa de biscoitos artesanais de sua mãe, chegando a cursar administração. Foram 12 anos na área, até que um hobby mudou tudo. “Cresci no meio de carros e motores, mas o surf falou mais alto”, conta Fornari sobre o esporte que conheceu aos sete anos de idade.
A parceria com a prancha já dura trinta anos, com direito a competições e títulos. O esporte é tão importante que ele o considera responsável pela grande virada em sua vida. “Através do surf pude experimentar a comunicação”, lembra. Em 2003, um amigo que dirigia o principal portal de surf do Sul do país o convidou para escrever uma coluna semanal. Pouco depois ele virou surf repórter, radialista e comunicador.
Atualmente, Fornari trabalha na Rede Atlântida, empresa do Grupo RBS, onde apresenta os programas “Swell Atlântida”, “#atlantida” e “As Melhores da Programação”; colabora com o blog “Atl Pop” e com o site IfSurf. “Trabalhei com grandes profissionais, verdadeiros ídolos, com quem adquiri experiência e todos os macetes desta profissão apaixonante. Eu já era reconhecido como surfista, e foi muito bom poder falar à minha ‘tribo’ e apresentar o surf para uma grandiosa audiência”, diz. Além de surfar entre as ondas do mar e do rádio, Fornari também é DJ e fotógrafo. “Jamais imaginei isso, mas no fundo sabia qual era a minha vocação”.
Mudando de consultório
Seria mais do que natural o garoto acabar seguindo a tradição da família, e assim o fez. Formou-se em 1994 na UniSantana, em Santos, e, ao longo de 13 anos, se dedicou a dar sorrisos mais saudáveis e a minimizar o desconforto de seus pacientes com a proximidade do famigerado motorzinho.
Mas, com o passar do tempo, foi sentindo algo diferente. A sala que antes era tão mágica, já não o atraía mais. Era como estivesse algemado. Sentia a necessidade de algo novo. Foi quando se lembrou das vezes em que narrava corridas de bicicleta com
os amigos ou quando gravava reportagens fictícias em fitas K7 na adolescência. Ele se deu conta que os episódios eram o despertar de um talento.
Tomou coragem, então, e anunciou para a família: seria jornalista. Quando questionado sobre as razões da mudança, ele respondia sem pestanejar: “O universo do dentista é seu consultório. O consultório do jornalista é o universo”. Formou-se em jornalismo em 2012 em primeiro na turma e, desde então, tem feito alguns trabalhos freelancers. Ainda não dá para se sustentar na nova profissão, mas isso não desanima o dentista-jornalista. Ou seria o inverso?






