Artesanato empreendedor, por Poliana Bezerra*

Artesanato empreendedor, por Poliana Bezerra*

Atualizado em 20/09/2007 às 17:09, por Poliana Bezerra* e  estudante de jornalismo da Universidade de Vila Velha (UVV).

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Conchas, madeira, cascas, metal ou cerâmica. Tudo pode virar arte, basta ter um pouco de criatividade. Pensando nisso, gente com visão empreendedora, como Giovanna Barbosa, criou em 2003 uma associação denominada Artesãos Associados, que visa incentivar artistas que vêem o artesanato como profissão.

Giovanna, que é formada em Belas Artes pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), ficou viúva e sofrendo uma conseqüente depressão foi morar na Ponta da Fruta. Lá, resolveu começar um artesanato diferente com as conchas que encontrava pela praia. "Dou nova conotação ao que já existe em Piúma. Agrego conchas a outros materiais como madeira, palha e fibras. Montei meu atelier e comecei a juntar mão-de-obra para me ajudar", conta.O trabalho na associação é feito de forma organizada. Cada artesão apresenta seu produto, que será codificado e exposto nos três pontos fixos de venda - Shopping Vitória, Shopping Praia da Costa e no Centro de Vila Velha. No início de cada mês, o artista recebe uma planilha com os indicativos de sua venda e o conseqüente acerto de contas referentes aos produtos vendidos.

Porém, algumas pessoas sentem dificuldade em esperar o retorno de seu trabalho. "Tivemos muita rotatividade nesse período de trabalho. Os artesãos de uma maneira geral, são imediatistas, querem lucro nos primeiros meses. Muitos não tinham condições de custear as despesas rateadas da manutenção da casa, por exemplo". Pensando nisso, Giovanna assumiu a curadoria das lojas, ou seja, o sistema de risco, arcando com todas as despesas da associação.

A questão ambiental não é esquecida pela associação. Artesanato produzido com bagaço de cana, casca de café, fibra de bananeira ou alumínio reciclado também ganha destaque. Tanto destaque que, neste ano, o grupo de artesãos foi premiado com o prêmio nacional Top 100, organizado pelo Sebrae. Uma bailarina feita com alumínio reciclado e conchas foi a razão dessa premiação. "Por traz desse trabalho, existe um projeto social, no qual eu e Cristina Lauteman - vice-presidente da associação - incentivamos 43 famílias de pescadores e moradores a beira mar, em todo o litoral do Espírito Santo, a catar conchas. Promovemos a geração de renda, com uma nova profissão - os 'catadores de conchas'".

A associação de artesanato, que não deve nada aos produtos importados, está sempre de portas abertas para novos artistas. Quem deseja participar dos Artesãos Associados deve estar cadastrado no programa de artesanato da Secretaria de Estado do Trabalho, Assistência e Desenvolvimento Social (Setades), isto é, deve ser portador da carteira de artesão. Ao entrar, o artesão paga uma taxa de inscrição de R$ 75,00 e contribui, mensalmente, com R$ 25,00. Esses valores foram fixados há três anos, sem nenhum reajuste.

Se você se interessou e quer participar ou mesmo conhecer o trabalho feito pelos artistas, pode procurar os Artesãos Associados na Rua Castelo Branco, 1269, no Centro de Vila Velha, em alguma das lojas da Grande Vitória ou pelo telefone (27) 3391-6930.

*Poliana Bezerra é estudante de do 4º período de jornalismo da Universidade de Vila Velha (UVV)
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