Ariel Palácios, do Estadão em Buenos Aires, fala sobre os bastidores da primeira viagem internacional de Dilma

Ariel Palácios, do Estadão em Buenos Aires, fala sobre os bastidores da primeira viagem internacional de Dilma

Atualizado em 02/02/2011 às 14:02, por Luiz Gustavo Pacete/Redação Revista IMPRENSA.

Ariel Palácios, do Estadão em Buenos Aires, fala sobre os bastidores da primeira viagem internacional de Dilma

A primeira viagem internacional de Dilma Roussef a Buenos Aires, nesta segunda (31/01), foi repleta de simbologias e com alto grau de importância, já que a Argentina está entre os principais parceiros do Brasil. A chegada da presidente brasileira ao país foi manchete nos principais jornais daqui e de lá. inclusive com entrevistas que ela concedeu ainda no Brasil aos correspondentes argentinos. O Clarin afirmou que "Dilma traz apoio do Brasil, mas marca diferenças". Já o La Nación noticiou que "Ninguém pode afirmar que o real não vai se desvalorizar" e o Página 12 apontou que "A relação com a Argentina é especial e estratégica". A visita de Dilma gerou expectativa para os correspondentes brasileiros que atuam no país, mas terminou com certa frustração, já que foi o encontro mais importante foi a "portas fechadas", com várias restrições a jornalistas.

Reprodução
Ariel Palácios

A convite do Portal IMPRENSA, o correspondente do jornal O Estado de S. Paulo em Buenos Aires, comentarista da Globo News e ex-colunista da Revista IMPRENSA , Ariel Palácios, analisou os bastidores de imprensa da emblemática visita de Dilma à Cristina. Ele constatou que foi frustrante ver que o governo argentino mais uma vez fez pouco caso dos jornalistas em um evento tão importante. Considerando que a presença de Dilma no país não poderia ter sido realizada em um momento mais positivo. Apesar das divergências comerciais, a Argentina foi escolhida como primeiro destino justamente pela importância que tem para o Brasil.

Ariel conta que não existia nenhum clima tenso para que a Casa Rosada agisse a "portas fechadas". Mas para ele, mais uma vez o governo deixou a imprensa de lado. "Normalmente governo de Cristina não gosta muito de falar com a imprensa e isso inclui os jornalistas estrangeiros". Palácios reitera que não é nem questão de descriminação relacionada a um ou outro país, mas uma postura adotada pelo governo argentino com todos da classe. "Por mais que tenha sido uma visita de extrema importância, as duas presidentes não deram coletiva de imprensa, o que fizeram foi divulgar um comunicado". O único contato da imprensa brasileira no país com Dilma foi durante seu embarque de volta: os jornalistas a chamaram e ela falou com o grupo rapidamente.

Visita a portas fechadas

Se as presidentes não falaram, a esperança dos jornalistas era de que pelo menos os ministros dessem atenção, mas isso também não aconteceu. "Os ministros, tanto argentinos quanto brasileiros, não falaram com a gente, nesta terça [01/02] pela manhã vi que alguns meios de comunicação conseguiram alguns detalhes adicionais da reunião, aqueles que têm mais influência no governo argentino", relata Ariel. O jornalista - que já foi colunista da reivsta IMPRENSA - comenta que os profissionais de redações chegaram a antecipar um pedido cordial de cobertura da ocasião. "Nós [correspondentes brasileiros] mandamos e-mail para a Casa Rosada pedindo com muita delicadeza que o governo falasse conosco sobre a visita, mas nem resposta eles mandaram. Isso não é novidade por aqui, a expectativa já era negativa".

Atualmente, a imprensa brasileira é a que mais cobre a Argentina no mundo. Ariel conclui que a cobertura feita pelos jornalistas brasileiros é qualificada, aprofundada e em detalhes, mas nem por isso conseguem um bom tratamento. "Resumindo, mais uma vez um bom contato com a imprensa ficou adiado pelo governo argentino, algo considerado de mínima importância", lamenta.

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