Após um ano, imprensa repercute queda do avião da Chapecoense

A tragédia com o avião da Chapecoense completa um ano nesta quarta-feira (29). O acidente deixou 71 mortos e seis feridos na Colômbia. Além de atletas e equipe técnica, o voo .

Atualizado em 29/11/2017 às 09:11, por Redação Portal IMPRENSA.

A data foi lembrada pela imprensa nacional e internacional, que chamou a atenção para a investigação sobre a responsabilidade do acidente, além das questões relativas ao pagamento das indenizações às famílias. Os governos da Colômbia, Bolívia e Brasil estão envolvidos nos processos investigativos. Crédito:Reprodução/Twitter (@TheACMario) A repórter do SporTV, Lívia Laranjeira, uma das primeiras a chegar ao hospital que recebeu os feridos, se manifestou em sua conta oficial no Twitter. “Hoje é um dia de reflexões, de tristeza, de oração pra quem é de oração... acho que o dia 29/11 vai ficar marcado como o 11/9. Todo mundo vai se lembrar de onde estava, quando acordou, como soube da tragédia. Qual é a sua história?”.
O repórter Rafael Henzel, um dos sobreviventes do voo, publicou um vídeo em seu agradecendo o carinho das pessoas durante o ano.
“Nesse exato momento, há um ano, o Brasil chorava pela perda de 71 pessoas. Nós seis sobreviventes estávamos distribuídos pelos hospitais da Colômbia e eu fico muito agradecido por todas as homenagens que estão sendo feitas e dizer que a oração que vocês fizeram, tudo o que vocês pensaram, imaginaram e pediram deu tudo certo”, disse.
“Nesses dias que são marcantes, que Deus possa confortar ao máximo o coração das famílias que perderam. Da minha parte, muitas homenagens a todos que se foram e uma gratidão imensa por todos vocês e por Deus, que me deu uma grande oportunidade”, finalizou.
A Fox Sports, que perdeu seis jornalistas no acidente, fez uma matéria especial sobre a reconstrução do time. “Vida nova! Um ano após tragédia, veja como a Chapecoense se reconstruiu em 2017”, é o título da reportagem.
O Portal G1 publicou uma entrevista com a estudante de jornalismo Carolina Paschoalon filha do jornalista e narrador esportivo Deva Pascovicci, uma das vítimas da tragédia. "Ele foi a minha inspiração para cursar jornalismo. O meu objetivo é honrar tudo que ele deixou aqui e tentar dar continuidade. Se eu conseguir ser 1% do que ele era, eu já estou feliz", afirmou.
A RPC, afiliada da Rede Globo no Paraná, coversou com Dona Ilaídes Padilha, mãe do goleiro Danilo, que emocionou o país após abraçar o repórter Guido Nunes, do SporTV durante a cobertura da tragédia. Ilaídes, que tinha um emprego em uma rádio no interior do Estado, virou Youtuber para auxiliar pessoas a lidarem com o luto.
A repórter Lina María López, da Caracol Notícias da Colômbia disse que a cobertura da tragédia a mudou por completo. “Essa tragédia mudou minha maneira de pensar. Agora, cada vez que tenho que esperar algum atleta no aeroporto, não recuso, porque é verdade que os tempos de espera são difíceis. Mas tudo o que quero é entrevistá-los. Por outro lado, toda vez que eu chego em um avião, não faço nada além de pensar sobre a tragédia", disse Lina.
Processo longo e complicado
Segundo reportagem da Rede Globo, que também perdeu uma equipe de profissionais no voo, duas associações de familiares das vítimas foram criadas para ajudar nos processos jurídicos e na questão das indenizações, um caminho longo que envolve três países, com legislação diferente.
A Chapecoense afirmou à reportagem do “Jornal Hoje” que pagou indenizações, rescisões, premiações e seguros às famílias dos dezenove jogadores mortos. E que pagou também R$ 58 mil para cada uma das famílias de todos brasileiros mortos e aos sobreviventes. O Ministério Público da Bolívia tem até o meio do ano que vem para concluir as investigações.
Três pessoas cumprem prisão domiciliar: o ex-diretor da Lamia, Gustavo Vargas Gamboa, o filho dele, Gustavo Vargas Villega, que era o chefe de registro de licenças da direção-geral de aeronáutica civil da Bolívia. E Joons Miguel Teodovich - ex-supervisor de tráfego aéreo, que estava de plantão no dia do acidente. Documentos demonstraram que o avião caiu por pane seca - ou seja, faltou combustível.
O Jornal Zero Hora repercutiu uma matéria da imprensa boliviana, que por meio do site El Deber, divulgou na tarde de segunda-feira (27) cinco áudios que, segundo a publicação, demonstram a relação entre uma família venezuelana com a LaMia, empresa responsável pelo voo que levava a delegação da Chapecoense. Os citados no áudios, que foram reproduzidos na matéria do El Deber, são Loredana Albacete Di Bartolomé e do pai dela, o ex-senador Ricardo Alberto Albacete Vidal.
A publicação do El Deber sugere que as informações foram obtidas após monitoramento do telefone da gerente da LaMia na Bolívia, Miriam Flores Parada, que teria sido feito por um instituto da Força Especial Boliviana de Combate ao Crime. O documento contém as conversas gravadas, além de fotografias e mais de 100 páginas que retratam as conversas entre Miriam e Loredana.
Nas conversas publicadas pela imprensa boliviana, Loredana exige informações da rotina contábil da LaMia para Miriam Flores Paradana, que seria a gerente da LaMia. Os áudios, de acordo com o El Deber, estão com o Ministério Público da Bolívia. Para a imprensa boliviana, Ricardo Albacete já teria afirmado publicamente que apenas arrendou aeronaves para os bolivianos, mas não teria controle sobre a LaMia.
A Chapecoense anunciou, nesta quarta-feira, que entrou na Justiça contra a Bisa Seguradora, responsável pelo seguro da empresa aérea LaMia, e órgãos do Governo Boliviano, pedindo indenização aos familiares das vítimas da tragédia.
A ação com pedido indenizatório foi ajuizada perante a 4ª Vara Cível da Comarca de Chapecó, segundo anunciou o clube, que “requer a condenação e o pagamento das indenizações decorrentes dos danos causados pelo acidente aéreo ocorrido em 29/11/2016” diz a ESPN.
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