Após um ano em embaixada, Assange diz que futuro da liberdade de imprensa "está em jogo"

Em entrevista à AFP, Julian Assange, fundador do WikiLeaks, refugiado há um ano na embaixada do Equador em Londres, diz não ter esperança desair em breve de sua “prisão” diplomática.

Atualizado em 17/06/2013 às 11:06, por Redação Portal IMPRENSA.



Crédito:Divulgação Para jornalista, liberdade de imprensa está em jogo nos EUA
Assange considera que ele e a sua empresa representavam “uma pequena web radical, decidida a publicar a verdade sobre a guerra, sobre os serviços de inteligência e a corrupção em larga escala, atacando de frente o Pentágono, o departamento de Estado...”. E acrescenta: “Nossas chances de vencer? A priori, eram nulas. Mas vencemos".

Na próxima quarta-feira (19/6), completa-se exatamente 365 dias desde que o fundador do WikiLeaks entrou na embaixada do Equador para pedir asilo político. Até hoje, caso ponha os pés para o lado de fora do refúgio, ele deve ser detido e extraditado para a Suécia.

Assange teme que, apreendido, possa ser encaminhado a uma extradição aos Estados Unidos e a um julgamento por traição. Segundo ele, o país e Barack Obama “querem se vingar” dele por ter difundido centenas de milhares de documentos secretos diplomáticos e militares dos EUA.

Enquanto isso, do outro lado do Atlântico, o soldado Bradley Manning (25), ex-analista de inteligência no Iraque, é julgado por estar na origem do "vazamento do século" do WikiLeaks.

"O que está em jogo é o futuro da liberdade de imprensa nos Estados Unidos e em todo o mundo", afirmou Assange. O veredicto poderá mudar o futuro do fundador do WikiLeaks, que considera que o "julgamento espetáculo" de Manning também é o seu, à revelia, por cumplicidade.

Além disso, ele comemora que outros "heróis" tenham entrado em cena. Como Edward Snowden, ex-agente da CIA que revelou "até que ponto os Estados Unidos se transformaram em um Estado de vigilância maciça insidioso".

O refugiado também diz sentir-se reconfortado com o fato de que o WikiLeaks é "mais forte agora do que há dois anos", porque continua com suas revelações e sobreviveu a um embargo bancário. E se beneficiaria de um apoio renovado nos Estados Unidos, no Reino Unido e em "todo o continente latino-americano".