Após reportagem sobre destruição de produtos pela Amazon, Reino Unido quer proibir a prática

Divulgada esta semana pelo veículo britânico ITV News, uma reportagem sobre a destruição de produtos novos em um armazém da Amazon na Escócia fez com que políticos, incluindo o primeiro-ministro Boris Johnson, e personalidades pressionassem pela proibição de tal prática.

Atualizado em 25/06/2021 às 17:06, por Redação Portal IMPRENSA.


A matéria mostra imagens feitas no depósito da Amazon em Dunfermline. Trata-se de uma das 24 instalações desse gênero da empresa no Reino Unido. As imagens são chocantes, pois mostram laptops (incluindo Macs), iPads, TVs, joias, fones de ouvido, livros e máscaras em ótimo estado, muitos ainda dentro das embalagens, sendo carregados em caixas marcadas com um selo para “destruir”. Crédito:reprodução ITV Primeiro-ministro Boris Johnson se pronuncia em Londres sobre destruição de produtos pela Amazon no Reino Únido
Outra sequência de imagens mostra os produtos sendo levados em empilhadeiras para serem destruídos. A matéria também indica que, após destruídos, muitos produtos acabam em aterros, prática que implicaria elevado impacto ambiental à operação da Amazon.
A explicação para essa conduta abominável mas legal é que é mais barato descartar milhões de produtos do que doá-los ou mantê-los ocupando espaço dos depósitos da Amazon. Afinal, a companhia permite que as empresas usem seus armazéns como estoque. E quando o preço de manter os produtos armazenados não compensa, a destruição parece ser uma opção frequentemente adotada.
A ITV entrou em contato com outros membros do governo do Reino Unido além do primeiro-ministro Boris Johnson. As autoridades disseram que vão investigar o caso e que estão considerando regulamentações pra evitar a prática.
Meta de destruição Segundo um ex-funcionário, os trabalhadores do depósito têm uma meta semanal de destruir 130 mil produtos. A informação foi confirmada por um memorando interno obtido pela ITV. O documento mostrou que, somente em uma semana de abril deste ano, mais de 124 mil itens foram destruídos no local, enquanto apenas 28mil produtos foram marcados como “doação”.
Com base nos dados obtidos, especialistas ouvidos pela reportagem calcularam que somente aquele armazém da Amazon destrói mais de 6 milhões de produtos por ano.
Em 2019 repórteres conseguiram provar que a Amazon destruiu no mínimo 3 milhões de produtos na França. Graças ao trabalho investigativo da imprensa francesa, uma lei foi aprovada no país proibindo essa prática.
A Amazon afirmou que está trabalhando em prol do descarte zero de produtos e que nenhum produto é enviado para aterro no Reino Unido.