Após dois anos à espera de julgamento, jornalista nigeriano está livre

Jones Abiri foi acusado pelo Serviço de Segurança do Estado de ter ligação com militantes da Força Conjunta de Libertação do Niger-Delta, um

Atualizado em 24/08/2018 às 17:08, por Redação Portal IMPRENSA.

Ele teve seu escritório invadido, seus pertences revirados e achava que nada do que foi encontrado o incriminava. Mas o jornalista nigeriano Jones Abiri ficou preso por dois anos, acusado pelo Serviço de Segurança do Estado de ser ligado a militantes da Força Conjunta de Libertação do Niger-Delta, um grupo rebelde que costuma bombardear oleodutos para pressionar a saída do presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari.

Crédito:Premium Times / Richard Akinwumi Jones Abiri foi preso sob suspeita de ligação com grupo rebelde na Nigéria


Libertado na semana passada sob fiança, Jones revelou arbitrariedades cometidas pelo alto escalão do governo. O jornalista concedeu entrevista ao e contou detalhes que culminaram com a sua prisão.


Jones foi preso no dia 21 de julho de 2016, enquanto trabalhava em seu escritório, em Yenagua. Ele relata que 12 homens bateram à sua porta com um mandado de busca em mãos. O jornalista não ofereceu resistência e os deixou entrar.


Segundo ele, não encontraram nenhuma prova que pudesse justificar a detenção. No entanto, um telefone que vinha sendo rastreado foi deixado no escritório por homens que pediram a Jones que escrevesse um comunicado, já que era jornalista.


Ele resistiu no início, mas sob ameaça, acabou atendendo a ordem e redigiu o comunicado. "Temi pela minha vida e decidi escrever para eles. Em seguida, isso foi publicado por vários órgãos da mídia", disse Jones.


O jornalista explicou que não sabia das intenções do grupo. Reconhece que foi inocente com tal atitude, mas garante que nunca fez parte da Força Conjunta de Libertação do Niger-Delta. E, se fizesse, garante, não estaria em seu escritório e, sim, escondido.


Jones é editor da revista Weekly Source e aguardou dois anos pelo julgamento e ficou preso neste período. Inclusive, sua prisão fora escondida quando entidades de direitos humanos e de jornalistas pediam explicações oficiais.


A resposta era de que tinha um cidadão com o mesmo sobrenome preso, mas não era reconhecido como jornalista porque não pertencia ao quadro da União dos Jornalistas da Nigéria (NUJ), argumento contestado pelos familiares e grupos de profissionais da comunicação.


Os familiares, então, esperavam por informações mais concretas quando chegasse o dia da audiência no Tribunal do Magistrado Principal, em Abuja, capital da Nigéria. Quando teve finalmente o direito de se defender, conseguiu sua liberação.
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