Após dez anos, Agência de Notícias sobre AIDS no Brasil busca atuação em mais países
“Há muita irresponsabilidade por parte da mídia quando fala das pessoas que vivem com AIDS”, disse Roseli Tardelli, diretora da Agência de Notícias da Aids no Brasil, durante o painel de encerramento do “Fórum AIDS e o Brasil”, nesta quarta-feira (11/12).
Atualizado em 11/12/2013 às 19:12, por
Maurício Kanno.
Crédito:Alf Ribeiro Agência ajuda a divulgar o tema mundo afora
Ela citou como exemplos a capa histórica de Veja sobre Cazuza. Não que a reportagem estivesse ruim, mas o modo como o cantor foi retratado. “Ele não estava agonizando em praça pública.” O mesmo problema Tardelli apontou com capa da Superinteressante de agosto, que daria a falsa impressão de que já haveria cura para a AIDS. Outra péssima prática seria o uso de termos como “aidético”.
Foi para dar sua contribuição à sociedade que a jornalista lançou a agência, em maio de 2003. “Nem sempre a mídia é solidária e cidadã nesse assunto e é isso que buscamos fazer.”
O fato é que seu trabalho passou a ser referência quando se trata de AIDS. Tanto que Tardelli mostrou como a Folha de S.Paulo publicou reportagens sobre a doença, que na véspera tinham sido divulgadas pela agência, como em 2005 e 2010. Na primeira ocasião foi sobre a escassez de preservativos e na segunda sobre a exigência de teste de HIV para entrada em concurso do Exército.
Além disso, até o próprio jornal norte-americano The New York Times , também em 2005, publicou matéria não só citando as fontes indicadas pela agência, como também citou esse empreendimento de Roseli.
Hoje, a agência envia pautas diariamente para 2 mil pessoas, como também mantém a Agência Sida, inaugurada em agosto de 2009, em Moçambique. O país foi escolhido por ser o mais populoso em língua portuguesa depois do Brasil e por ter a maior prevalência de Aids entre os lusófonos. Se no início era de 16%, hoje é cerca de 12%.
Lucas Bonanno, que coordenou esta iniciativa, falou no evento das dificuldade do país, que viveu até 1992 em guerra civil. “Até 2008, não havia jornalista graduado lá.”
Para o futuro, a jornalista espera também avançar para uma agência em outro país, como Angola. No entanto, devido à ditadura de 36 anos, ela tem ainda suas dúvidas.





