Após capa polêmica com beijo gay, editor da “Vista” leva experiência de conteúdo ao leitor
No final de outubro, a revista Vista, especializada na cultura do skate, chegou ao número 50, completando dez anos de história. O
Atualizado em 07/11/2013 às 18:11, por
Camilla Demario.
No final de outubro, a revista , especializada na cultura do skate, chegou ao número 50, completando dez anos de história. O momento não poderia ser mais significativo para a publicação, que funciona como um verdadeiro laboratório experimental de ideias, abrindo espaço, inclusive, para diversas opiniões. Reforçando essa proposta, o periódico convidou como editor especial de sua edição de aniversário o fotógrafo Fernando Martins Ferreira, famoso por retratar este universo. Ele optou por discutir a diversidade de gêneros.
Crédito:Alex Brandão Xande Marten é editor-chefe da revista "Vista" Na capa, Vista trouxe a imagem de dois skatistas do mesmo sexo se beijando, o que causou críticas e discussões entre seus leitores. No editorial, Martins lembrou: “o que temos em comum, além do apreço pelo objeto skate, é a valorização das diferenças”, destacando também que, no passado, o homossexualismo era visto como tabu, algo que hoje não existe mais.
Crédito:Dea Lellis Capa da edição de aniversário da "Vista" Sobre a discussão, que ganhou as redes sociais da revista, Xande Marten, editor-chefe da publicação, disse à IMPRENSA que Vista está sempre aberta à críticas e faz parte de sua linha editorial buscar diversos tipos de visões. A publicação bimestral, com distribuição de 20 mil exemplares gratuitos, conta, atualmente, com uma redação formada por oito profissionais.
A seguir, Xande Marten fala sobre a polêmica capa da edição 50, os desafios de publicar uma revista alternativa no Brasil e expectativas para o futuro.
IMPRENSA - No editorial da edição 50, o Fernando Martins fala que o antigo tabu da homossexualidade no skate hoje é motivo de risada. Vocês esperavam críticas à capa? Xande Marten - Nós sempre esperamos críticas. Vista é um projeto experimental, um laboratório e, principalmente, um canal aberto para as mais variadas opiniões e formas de skate. Surgimos em um momento onde existiam mídias fortes abordando a evolução técnica do skate e também o skate raiz, na veia, portanto, nunca fez sentido trabalharmos estas frentes do skate também. Se fosse assim, faria mais sentido batermos na porta das outras mídias, pedir um emprego e ajudá-los diretamente. Mas a nossa opção foi de encontro ao que nós vivíamos: um skate ainda sendo uma contracultura e também com uma diversidade gigante, por isso sempre buscamos vários tipos de visões.
Crédito:Fernando Martins Capa da edição 38 de "Vista" Por que o Fernando Martins foi escolhido como editor convidado para esta edição? O Fernando desenvolve um trabalho com fotografia há bastante tempo, já passou pelas principais revistas de skate do Brasil e colaborou muito para a Vista . Uma das melhores capas, na minha opinião, é obra dele (imagem à direita). Era uma questão de tempo ele trabalhar mais forte conosco, e já que não conseguimos contratá-lo por enquanto (risos), o convidamos para ser editor por uma edição.
Como é trabalhar com editor convidado diferente a cada edição? Na realidade, é a primeira vez que temos um editor convidado. Vista sempre vai buscar a variedade, seja na pauta, seja na forma de trabalho, pois o que menos precisamos é de mais mídias iguais, onde já se sabe o que virá, é isto o que mais temos por aí. Cada veículo tem seu ponto de vista, mas buscamos ser o canal para todos os pontos de vista.
Como vocês dividem o trabalho? Em qualquer formato de produção de uma edição damos liberdade total para todos, o editor convidado pode sacudir a casa, mudar o que acredita que deve ser mudado e vamos debatendo e opinando. Não existe um voto mais forte do que o outro, todos têm o mesmo peso. Sou intitulado "editor-chefe" (a contragosto), mas em decisões internas faço questão de ter apenas um voto e opinião, nada mais. A única diferença é que existe uma expectativa de que ele dê a cara dele à edição, então, tentamos ser mais ouvintes do que determinantes.
Quem você gostaria muito de convidar para assumir uma edição? Por quê? Sinceramente, tem muita gente que seria legal termos como editor, principalmente por vermos o quanto funciona dar voz à alguém, e dar a oportunidade de fazer uma revista inteira é raro, são poucas revistas abertas, e pensando nisso, gosto da ideia. Mas, provavelmente, eu indique o Rafael Narciso e o Diogo Disturbios. O Narciso, por ser um monstro em tudo o que faz, tem uma forma única de enxergar o mundo e flagra muito de street skate e a cultura que o envolve. Daria um belo caldo. Já o Diogo é um amigo de longa data, sempre viveu a arte urbana e a música, questionador por excelência, é um dos caras que tem menos papas na língua, fala na lata e muita gente o respeita por esta sua forma questionadora de ser. Não sei se ele está certo em tudo o que pensa, mas o importante é que ele nunca está satisfeito.
Qual é o maior desafio de fazer Vista ? Quais conquistas foram marcantes para sua carreira? Empreender no Brasil é quase uma teimosia, não temos base nem suporte algum dos órgãos que são praticamente nossos sócios. Dentro de um projeto nosso, o governo ganha praticamente o mesmo (através de impostos) que nós ganhamos, só que eles não dão nada em troca. Este é o maior dificultador, acredito, para fazer qualquer pequeno empreendimento no Brasil. O resto todo é desafiador e prazeroso. Sobre conquistas, estar trabalhando hoje ao lado de grandes referências e junto deles desenvolver uma série de projetos gratuitos, envolvendo cultura, música e skate é um sonho realizado.
A revista é publicada por uma editora independente e os exemplares são distribuídos gratuitamente. Os anúncios bancam a revista? Sim, os anúncios bancam as revistas. Acredito que para as publicações distribuídas em bancas esta também seja uma realidade cada vez mais próxima, visto que o encalhe é grande. No nosso caso ainda temos um suporte dos lojistas que querem distribuir a revista, eles também fazem a sua parte nos ajudando a bancar os seus exemplares, e a lojística para que as revistas cheguem até eles.
O jornalismo impresso vai morrer? Não acredito que morra, mas uma grande transformação já aconteceu, alguns já perceberam e outros ainda estão, tivemos sorte de termos surgido do nada, não viemos de nenhuma editora, isto nos livrou dos vícios de um grande mercado, criamos um caminho que nem sabíamos que existia, mas hoje existe. Compare as capas da Vista com qualquer outra capa de revista, nós não trabalhamos a informação, a notícia, queremos poesia, arte, queremos ser cada vez mais uma experiência de conteúdo e menos uma revista. A informação você busca hoje na web, onde também atuamos, mas de uma outra maneira.
Crédito:Alex Brandão Xande Marten é editor-chefe da revista "Vista" Na capa, Vista trouxe a imagem de dois skatistas do mesmo sexo se beijando, o que causou críticas e discussões entre seus leitores. No editorial, Martins lembrou: “o que temos em comum, além do apreço pelo objeto skate, é a valorização das diferenças”, destacando também que, no passado, o homossexualismo era visto como tabu, algo que hoje não existe mais.
Crédito:Dea Lellis Capa da edição de aniversário da "Vista" Sobre a discussão, que ganhou as redes sociais da revista, Xande Marten, editor-chefe da publicação, disse à IMPRENSA que Vista está sempre aberta à críticas e faz parte de sua linha editorial buscar diversos tipos de visões. A publicação bimestral, com distribuição de 20 mil exemplares gratuitos, conta, atualmente, com uma redação formada por oito profissionais.
A seguir, Xande Marten fala sobre a polêmica capa da edição 50, os desafios de publicar uma revista alternativa no Brasil e expectativas para o futuro.
IMPRENSA - No editorial da edição 50, o Fernando Martins fala que o antigo tabu da homossexualidade no skate hoje é motivo de risada. Vocês esperavam críticas à capa? Xande Marten - Nós sempre esperamos críticas. Vista é um projeto experimental, um laboratório e, principalmente, um canal aberto para as mais variadas opiniões e formas de skate. Surgimos em um momento onde existiam mídias fortes abordando a evolução técnica do skate e também o skate raiz, na veia, portanto, nunca fez sentido trabalharmos estas frentes do skate também. Se fosse assim, faria mais sentido batermos na porta das outras mídias, pedir um emprego e ajudá-los diretamente. Mas a nossa opção foi de encontro ao que nós vivíamos: um skate ainda sendo uma contracultura e também com uma diversidade gigante, por isso sempre buscamos vários tipos de visões.
Crédito:Fernando Martins Capa da edição 38 de "Vista" Por que o Fernando Martins foi escolhido como editor convidado para esta edição? O Fernando desenvolve um trabalho com fotografia há bastante tempo, já passou pelas principais revistas de skate do Brasil e colaborou muito para a Vista . Uma das melhores capas, na minha opinião, é obra dele (imagem à direita). Era uma questão de tempo ele trabalhar mais forte conosco, e já que não conseguimos contratá-lo por enquanto (risos), o convidamos para ser editor por uma edição.
Como é trabalhar com editor convidado diferente a cada edição? Na realidade, é a primeira vez que temos um editor convidado. Vista sempre vai buscar a variedade, seja na pauta, seja na forma de trabalho, pois o que menos precisamos é de mais mídias iguais, onde já se sabe o que virá, é isto o que mais temos por aí. Cada veículo tem seu ponto de vista, mas buscamos ser o canal para todos os pontos de vista.
Como vocês dividem o trabalho? Em qualquer formato de produção de uma edição damos liberdade total para todos, o editor convidado pode sacudir a casa, mudar o que acredita que deve ser mudado e vamos debatendo e opinando. Não existe um voto mais forte do que o outro, todos têm o mesmo peso. Sou intitulado "editor-chefe" (a contragosto), mas em decisões internas faço questão de ter apenas um voto e opinião, nada mais. A única diferença é que existe uma expectativa de que ele dê a cara dele à edição, então, tentamos ser mais ouvintes do que determinantes.
Quem você gostaria muito de convidar para assumir uma edição? Por quê? Sinceramente, tem muita gente que seria legal termos como editor, principalmente por vermos o quanto funciona dar voz à alguém, e dar a oportunidade de fazer uma revista inteira é raro, são poucas revistas abertas, e pensando nisso, gosto da ideia. Mas, provavelmente, eu indique o Rafael Narciso e o Diogo Disturbios. O Narciso, por ser um monstro em tudo o que faz, tem uma forma única de enxergar o mundo e flagra muito de street skate e a cultura que o envolve. Daria um belo caldo. Já o Diogo é um amigo de longa data, sempre viveu a arte urbana e a música, questionador por excelência, é um dos caras que tem menos papas na língua, fala na lata e muita gente o respeita por esta sua forma questionadora de ser. Não sei se ele está certo em tudo o que pensa, mas o importante é que ele nunca está satisfeito.
Qual é o maior desafio de fazer Vista ? Quais conquistas foram marcantes para sua carreira? Empreender no Brasil é quase uma teimosia, não temos base nem suporte algum dos órgãos que são praticamente nossos sócios. Dentro de um projeto nosso, o governo ganha praticamente o mesmo (através de impostos) que nós ganhamos, só que eles não dão nada em troca. Este é o maior dificultador, acredito, para fazer qualquer pequeno empreendimento no Brasil. O resto todo é desafiador e prazeroso. Sobre conquistas, estar trabalhando hoje ao lado de grandes referências e junto deles desenvolver uma série de projetos gratuitos, envolvendo cultura, música e skate é um sonho realizado.
A revista é publicada por uma editora independente e os exemplares são distribuídos gratuitamente. Os anúncios bancam a revista? Sim, os anúncios bancam as revistas. Acredito que para as publicações distribuídas em bancas esta também seja uma realidade cada vez mais próxima, visto que o encalhe é grande. No nosso caso ainda temos um suporte dos lojistas que querem distribuir a revista, eles também fazem a sua parte nos ajudando a bancar os seus exemplares, e a lojística para que as revistas cheguem até eles.
O jornalismo impresso vai morrer? Não acredito que morra, mas uma grande transformação já aconteceu, alguns já perceberam e outros ainda estão, tivemos sorte de termos surgido do nada, não viemos de nenhuma editora, isto nos livrou dos vícios de um grande mercado, criamos um caminho que nem sabíamos que existia, mas hoje existe. Compare as capas da Vista com qualquer outra capa de revista, nós não trabalhamos a informação, a notícia, queremos poesia, arte, queremos ser cada vez mais uma experiência de conteúdo e menos uma revista. A informação você busca hoje na web, onde também atuamos, mas de uma outra maneira.





