Após atentado, jornalista deixa a Colômbia; RSF condena as ameaças

Atentado na casa da jornalista Amalfi Rolases foi motivação para que ela deixasse a região de Guajira, na Colômbia. RSF condena ato.

Atualizado em 05/09/2014 às 18:09, por Redação Portal IMPRENSA.

As ameaças contra a vida da jornalista Amalfi Rosales se tornaram algo real após um atentado desconhecido em sua casa na última segunda-feira (2/9). Alguns tiros foram disparados contra a residência da profissional que atua como correspondente da rádio Noticias Uno e do diário Al Día na região de Guajira, na Colômbia. A ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) condena ato.
Crédito:Reprodução/Twitter Amalfi Rosales deixou sua residência após o atentado
Em comunicado, a entidade afirma que três disparos tinham como alvo a casa da correspondente internacional. Imediatamente após o atentado, a jornalista denunciou a tentativa de crime. Ela já havia relatado há dois meses para as autoridades que sofria ameaças constantes, mas não foi ouvida. “Quanto mais me ameaçarem, mais notas farei”, afirmou a jornalista. Porém, ela deixou a região para proteger a família.
As ameaças começaram a atormentá-la no final do ano passado. Em meados de novembro, um “desconhecido me mostrou uma arma e me disse para me calar, para parar de inventar histórias”, conta. Recentemente, ela cobriu escândalos políticos do atual governador da Guajira, José María Ballesteros, e do ex-governador, Francisco “Kiko” Gómez, preso por ligações com paramilitares e por envolvimento em possíveis três assassinatos.
A Unidade de Proteção Nacional (UNP, em espanhol) entrou em contato com a correspondente, mas em nenhum momento ofereceu alguma medida de proteção. "A Repórteres Sem Fronteiras pede a UNP que atua o quanto antes para garantir a segurança de Amalfi Rosales", afirma Camille Soulier, responsável do escritório da organização nas Américas.
"Sua saída é somente uma solução temporária diante dos riscos que a jornalista corre com a sua família. As autoridades devem realizar uma investigação séria e independente para identificar a origem das ameaças, que existem há bastante tempo", acrescenta. Nesta semana, o jornalista Gonzalo Guillén teve que voltar ao seu país de origem pela quarta vez porque temia sofrer um novo atendado, embora tenha a seu favor uma proteção da UNP.
Pelo que apurou, Kiko Gómez enviou a Bogotá mais de cinco milhões de pesos para comprar juízes e pagar para que se cometam atentados conta Gonzalo Guillén e seus colegas León Valencia e Ariel Ávil, assim como contra a deputada e ex-jornalista Claudia Lopez.

A RSF já havia dito que a prisão de Kiko Gómez não seria suficiente para acabar com as ameaças que os jornalistas enfrentam no país. A Colômbia está em 126º lugar entre 180 países na Classificação Mundial da Liberdade de Imprensa da Repórteres Sem Fronteiras, publicada no início deste ano.