Após acusar repórter do "Estadão" por invasão, universidade Yale desiste de processá-la

Após acusar repórter do "Estadão" por invasão, universidade Yale desiste de processá-la

Atualizado em 30/09/2013 às 09:09, por Redação Portal IMPRENSA.

Após acusar repórter do Estadão por invasão, universidade Yale desiste de processá-la

No último sábado (28/9), a jornalista brasileira Cláudia Trevisan, do jornal O Estado de S. Paulo , que ficou detida por quase cinco horas dentro de uma viatura e uma cela do Departamento de Polícia da Universidade de Yale, em Washington (EUA), disse que não entrou escondido e não forçou a entrada ao local. A instituição justificou o ato e desistiu de ação contra a jornalista.


Crédito:Divulgação Jornalista disse que foi humilhada durante prisão na universidade

De acordo com o Terra, ela foi presa enquanto aguardava o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, que participava de um seminário sobre direito constitucional. A liberação da jornalista ocorreu após ela ser autuada por "invasão criminosa".


"Eu não entrei escondido nem forcei a entrada. Andei pelos corredores, olhei pelos vidros dentro das salas, subi dois andares, comprei uma água na cafeteria, sentei no pátio interno e concluí que o seminário não estava ocorrendo naquele edifício. Sai de lá e fui ao Wooley Hall, uma sala de concertos da Faculdade de Direito onde seriam realizados os eventos de hoje do seminário. As portas do lugar ficam abertas e a entrada é livre. Muitas pessoas usam o hall como atalho entre uma praça e a rua que fica do outro lado. Não havia ninguém para pedir informações na entrada", explicou ela ao Estado .


Claudia é correspondente do jornal em Washington desde o final de agosto e nos últimos cinco anos trabalhou na China. Ela conta que foi cobrir a visita do ministro à Universidade, onde participaria do Seminário Constitucionalismo Global 2013, e trocou e-mails com a assessora de imprensa da Escola de Direito da universidade, Janet Conroy.


Segundo O Estado de S.Paulo , a Universidade publicou nota no último sábado (28/9) argumentando que a prisão da jornalista foi "justificada” e afirmou que não "planeja acionar a promotoria local" para pedir a abertura de uma ação penal contra Claudia.


Assinado pelo secretário de imprensa, Tom Conroy, o comunicado alega que Yale reafirma o motivo da prisão e diz que "a polícia seguiu os procedimentos normais, sem que a sra. Trevisan fosse maltratada".


A jornalista disse que se surpreendeu com o comunicado depois da humilhação que passou. "Algemas são coisas dolorosas para usar. Ser impedida de fazer um telefonema durante cinco horas é uma violência terrível. Ser tratada como criminosa e colocada em uma cela, onde você precisa fazer xixi na frente de policiais, é uma humilhação extrema", disse. "Em todo esse processo, ninguém de Yale tentou ouvir a minha versão dos fatos. Surpreende-me, pois é uma faculdade de direito”, acrescentou.


Confira a íntegra da nota da Universidade:


Antes de chegar ao Campus da Universidade Yale no dia 26 de setembro para tentar entrevistar o ministro Barbosa, a sra. Trevisan já sabia que o Seminário Constitucionalismo Global ministrado por ele seria um evento privado, fechado para o público e para a imprensa. Ela invadiu a propriedade de Yale, entrou na Faculdade de Direito sem permissão e quis entrar em outro prédio onde os participantes do seminário estavam.


Quando ela foi questionada sobre o motivo pelo qual estava no prédio, ela afirmou que estava procurando um amigo com quem pretendia se encontrar. Ela foi presa por invasão de propriedade. A polícia seguiu os procedimentos normais, sem que a sra. Trevisan fosse maltratada. Apesar de justificada a prisão por invasão, a universidade não planeja acionar a promotoria local para levar adiante a acusação.


A Faculdade de Direito e a Universidade Yale acomodam milhares de jornalistas ao longo do ano para eventos públicos no campus e entrevistas com membros da comunidade de Yale e visitantes.

Assim como todos os jornalistas, a sra. Trevisan é bem-vinda para participar de qualquer evento público em Yale e falar com qualquer pessoa que desejar lhe conceder entrevista.


Tom Conroy, Secretário de Imprensa da Universidade Yale


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