Aplicativos ajudam eleitores na busca pelo voto consciente, dizem especiliastas

A cada dia, surgem mais possibilidades de o cidadão se informar sobre os candidatos

Atualizado em 27/08/2014 às 17:08, por Rodrigo Álvares.

A pouco mais de um mês das eleições, uma profusão de aplicativos políticos têm fervilhado nas lojas de Google e Apple com o objetivo de informar e orientar os eleitores na hora de escolher o seu candidato. Para especialistas, este novo cenário, no qual a comunicação entre os políticos e a sociedade torna-se mais horizontal, veio para ficar e só tem a contribuir.
“Quanto mais o cidadão se informar, melhor. O que vemos é que, , sobre as propostas. Mas, evidentemente, isso tudo precisa ser exercitado”, explica Gil Castello Branco, fundador e secretário-geral da Associação Contas Abertas.
De acordo com a coordenadora do Transparência Brasil, Natália Paiva, as pessoas vêm num movimento de buscar mais informação. “Acreditamos que nessas eleições vai ser a primeira vez que tem um uso maior desse tipo de ferramenta”, diz.
No último sábado (23/08), Natália participou da hackathon – uma maratona de criação de aplicativos promovida pela organização – na qual jovens desenvolvedores se dedicaram a criar ferramentas com foco nas eleições e no monitoramento do Congresso.
Crédito:Divulgação Programadores passaram 12 horas seguidas desenvolvendo aplicativos
Uma das ideias apresentadas é de uma plataforma web na qual seria possível cruzar bancos de dados de governos. “Você poderia cruzar os dados de doadores de campanha com receptores de empréstimos do BNDES. Esse é um exemplo de ideia legal que pode ser bastante útil para os jornalistas”, avalia Natália.
Para Castello Branco, o eleitor acaba tendo de se posicionar em meio ao bombardeio de marketing que sofre. “Ele fica tentando descobrir o que é uma embalagem e o que é o conteúdo. Existem dificuldades para o eleitor fazer uma escolha consciente e não ser enganado pelas embalagens”, aponta.
Especialista em segurança digital e votação eletrônica e professor do Instituto de Computação da Unicamp, Diego Aranha, criou o aplicativo Você Fiscal, cujo objetivo é fiscalizar o processo de totalização dos votos nas urnas eletrônicas de todo o País durante a etapa final da eleição.
Ele explica que a ideia do aplicativo surgiu como uma continuação do trabalho realizado nos testes de segurança de 2012, onde várias vulnerabilidades foram encontradas no software de votação das urnas. “Como o TSE decidiu não realizar testes de segurança esse ano e como o sistema instalado nas urnas não é diretamente auditável pela sociedade, resolvermos tentar uma auditoria por amostragem da etapa de totalização”, conta.
Para Aranha, a disseminação destes mecanismos nada mais é que “uma alternativa simples e descentralizada de informar e promover engajamento e participação”.
Também é preciso ter cuidado para que o eleitor não seja ludibriado do mesmo jeito. Natália aponta que, para evitar uma ideologização dos aplicativos, os organizadores do hackathon pediram, por exemplo, que fosse evitado o uso de rankings que utilizassem informações muito subjetivas. “Achamos que neste momento de eleições, alguns aplicativos podem ser usados de maneira equivocada, de uma maneira bastante ideologizada. Tem de se colocar os dados de maneira mais objetiva possível”, diz.

Crédito:Flickr/Abraji Eleitor tem de se posicionar em meio ao bombardeio de marketing, diz Castello Branco
Entre um dos fatores para os eleitores irem atrás de suas próprias informações sobre os candidatos, Castello Branco aponta para o horário eleitoral gratuito como um dos catalisadores. “É um programa de péssima qualidade. Você vê os candidatos a deputados estaduais desfilarem, mas que mal têm tempo de falar, que dirá apresentar propostas concretas. Nesse nível, é um desperdício, porque em nada adianta para o eleitor aquele desfilar de candidatos”, avalia.
“A emergência de iniciativas ligadas à eleição é clara consequência do período de campanha eleitoral, mas espero que as ideias se transformem em mecanismos de acompanhamento e fiscalização da gestão pública dos candidatos eleitos”, finaliza Aranha.