Apesar de polêmica, editoras não desistem de publicar biografias no Brasil
Embora a polêmica sobre a publicação de biografias não autorizadas no Brasil tenha adquirido força, o cronograma de lançamentos das editorasnão foi afetado.
Crédito:Divulgação Terceiro livro de Lira Neto sobre Getúlio Vargas está garantido pela editora
De acordo com o iG, as biografias atendem 1% do mercado literário, que movimentou R$ 4,984 bilhões em 2012. O Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) defende a proposta de mudança do Código Civil, que permitiria a publicação de obras sem a autorização do biografado ou de sua família. Entretanto, também há editores que consideram o apoio do biografado ou de seus herdeiros essencial para obter informações confiáveis.
Marcelo Fróes, por exemplo, que é diretor da Sonora Editora, especializada em livros sobre música está produzindo uma obra sobre Syd Barrett, do Pink Floyd – que é autorizada. "Não é questão de escolha, é questão de juízo. Buscar autorização é um compromisso moral meu. Prefiro trabalhar direito para não me queimar", disse.
"É uma coisa de respeito ao público buscar as melhores fontes, procurar a família, os amigos, o próprio biografado. Se você fizer [o livro] sem apoio, não vai fazer um trabalho honesto. Só uma pesquisa não basta, até porque nossa imprensa dos anos 1950 e 1960 era boba, ingênua. Tinha muita mentira, muita fofoquinha nada a ver”, acrescentou.
Já Henrique Farinha, diretor-presidente da Editora Évora, que publicou obras autorizadas e não-autorizadas, diz que é mais prazeroso produzir sem permissão. "Normalmente a não autorizada é mais saborosa", disse. "Quando é autorizada, o personagem quer controlar a história – quer controlar o que você pode dizer e o que não pode dizer".
Para ele, a raiz da polêmica está no fato de ainda existir "muita preocupação em se contar a história oficial" no Brasil. "A gente tem pouca tolerância com a divergência, com aquilo que eventualmente não é nossa visão sobre nós mesmos, as coisas ou os fatos", declarou. "O brasileiro não gosta de transparência, gosta de articulação. Discutir abertamente não faz parte da nossa cultura."
O editor da Companhia das Letras, Luiz Schwarcz informou, em texto publicado no site da empresa, que o grupo Procure Saber "ofendeu os profissionais do livro ao defender a permissão apenas da publicação gratuita dos livros pela internet, apresentando editores e escritores como argentários e pilantras profissionais."
Apesar das oposições, a editora manteve a publicação do terceiro volume da biografia de Getúlio Vargas, marcada para agosto de 2014. Segundo a assessoria de imprensa da editora, o autor Lira Neto entrevistou a família do político, no entanto, não sujeitou o livro a uma pré-aprovação.
A editora Planeta, que publicou a vetada biografia "Roberto Carlos em Detalhes" (2006), tem duas obras previstas para o próximos meses. A autobiografia de Usain Bolt e a história de Minotauro e Minotouro, escrita pela mãe dos lutadores. Ambas foram autorizadas.
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