Aos 60 anos de carreira, Silvio Luiz mostra que é possível inovar no jornalismo esportivo

Do alto de seus 60 anos de carreira, Silvio Luiz alça um novo voo ao levar para os games sua longeva experiência em narração esportiva e se

Atualizado em 02/05/2012 às 18:05, por Luiz Gustavo Pacete.

Ame-o ou deixe-o

mostra um usuário apaixonado por novas plataformas de mídia


Entre uma foto e outra, Silvio Luiz não desgruda de seu iPhone. É do aparelho que o narrador – que completa 60 anos de carreira neste ano – tuita, grava vídeos e acessa a web. Visivelmente adepto das novas plataformas, com perfil no Twitter, Facebook e conta no Youtube, Silvio também é a voz do jogo Pro Evolution Soccer (PES), licenciado pela Konami para o Playstation. Desde 2011 narrando os games, no começo de abril terminou a gravação de sua terceira temporada, a de 2013. Escolhido por uma pesquisa feita entre jovens brasileiros, o locutor acredita que ser lembrado como referência entre as novas gerações vale mais do que qualquer prêmio.
Conhecido pelo jeito irreverente e muitas vezes até um tantinho “mal educado”, Silvio não dá ouvido a críticas, só não gosta de carregar a imagem de má pessoa. Algo com o que teve de conviver durante dez anos, depois que apresentou, em 1968, o programa “Quem Tem Medo da Verdade”, exibido na Record. Na época, ganhava para detonar os jurados. “Sempre me arrependi de ter carregado aquela imagem, mas eu precisava do dinheiro”, diz.
Crédito:Pablo de Sousa IMPRENSA – O QUE REPRESENTA SER ESCOLHIDO PARA NARRAR GAMES? Silvio Luiz - Antes mesmo de eu completar 60 anos de carreira, a Konami fez uma pesquisa no mercado brasileiro para ver quem é que deveria gravar o PES. Como fez no mercado espanhol, no inglês, no mexicano e em outros. E meu nome pareceu. Com orgulho para mim. Apesar de tudo contra todos ou todos contra mim, o velhinho aqui acabou ganhando a pesquisa. Ganhou de narradores importantes que estão metendo o cacete por aí. Isso é na realidade um prêmio. Mostra a importância do que eu fiz por meio da minha carreira.
DE ONDE VEM ESSA SUA FAMILIARIDADE COM A TECNOLOGIA? Olha, tanto no meu site como no Facebook e no Twitter, sou eu que escrevo. Não pago ninguém para escrever. Não ofereço prêmio. Não tem essa de “se eu chegar a mil seguidores, dou alguma coisa ou sorteio meu livro”. Isso aí não existe. Ou o cara me ama ou me detesta. Minha carreira sempre foi assim, ou me amam ou me detestam. E tudo isso tem muito a ver com o meu gosto por criar coisas novas. Ah! O site está um pouco abandonado, eu confesso. Precisava de um pessoal para poder atualizar.
COMO VOCÊ RESPONDE QUANDO TE CHAMAM DE POLÊMICO? Desde quando eu participava do “Quem Tem Medo da Verdade”, onde eu fazia parte de um júri e metia o pau nas pessoas que iam lá, carreguei a imagem de mau. Um personagem que me arrependo até hoje. Minha mãe quando me via na televisão dizia “esse não foi o filho que criei”. Quando minha esposa ia à feira, perguntavam se eu batia nela. Me arrependo, mas eu precisava do dinheiro na época. Recém-casado! Demorou mais de dez anos para apagar essa imagem negativa. Agora, eu posso ter a imagem de irreverente, de mal educado, mas mau eu não sou.

Leia a matéria completa na edição de maio (278) de IMPRENSA.