Antônio Nascimento, editor esportivo de O Globo, Fluminense

São Paulo, 7 de julho, o relógio marca quatro da tarde na sala da redação IMPRENSA. Alô, Antônio Nascimento, editor de esportes do O Globo, na escuta?

Atualizado em 07/07/2011 às 16:07, por Klaus Junginger.

O jornalista carioca, com larga experiência em diferentes editorias e, segundo o próprio, "bom tenista", atende o telefone para uma bate papo sucinto sobre o jornalismo esportivo. Crédito:Divulgação O Globo Antônio Nascimento "nosso negócio é paixão"

De cara, pergunto de que maneira Antônio enxerga a atuação das mulheres jornalistas, quando chegada a hora de cobrir esse universo predominantemente masculino. "Tem muita carinha bonita", diz Nascimento, "talvez, isso seja reflexo da infantilização que acontece com a editoria de esportes na TV". E na produção, será que existe alguma diferença? "Nenhuma".
Qual foi a maior lição em sua carreira de jornalista esportivo?

"Que nosso negócio é paixão. Os futuros jornalistas esportivos, ou aqueles que iniciam agora nessa área, devem sempre lembrar que mexem com ela."

Para lidar com essa emoção, Nascimento sugere a busca por equilíbrio, jogo de cintura e criatividade. "O dia em que a gente der títulos do tipo Flamengo vence Vasco por 3x0, como é comum no jornalismo de outras editorias, estaremos acabados. Não se faz isso no jornalismo esportivo; é preciso bom humor e certa dose de ironia na hora de escrever."
A resposta de Nascimento gera outra pergunta. Se há paixão, há de existir, inclusive, melindres, cuidados na hora de servir o leitor?

"De forma alguma. Posso errar a mão, mas jamais ter medo". Errar a mão significa algo como dar azo a interpretações diversas, irritar este ou aquele com uma brincadeira ou com aquele sorriso de canto-de-boca escondido ao final de um parágrafo.

E a Internet, Antônio?
"Gosto muito de Orkut, acho o máximo. Mas a minha mídia social é o bar". Não é coisa de bêbado, é frase de quem vê, nos aspirantes jornalistas de hoje, uma percepção distorcida sobre o valor da web. "Parece que pegaram o passado e o deletaram; esquecem que é nele que está o futuro", comenta. "Também acham que fazem hoje o melhor jornalismo de todos os tempos - não é verdade, e pensar assim, é uma burrice gigantesca".
Antônio Nascimento tem 51 anos, torce para o Fluminense, joga tênis. Vai ministrar na próxima semana uma oficina de jornalismo esportivo, organizada pela IMPRENSA Editorial, no Rio. Veja como se .
Oficina Jornalismo Esportivo
14/07 - Quinta-Feira Horário: das 19h às 23h Endereço: Rua da Ajuda, 35 - 8º andar, Centro Informações: www.oficinasimprensa.com.br