Antônio Carlos Magalhães, Osvaldo Martins, Gaudêncio Torquato e Adélia Franceschini repercutem pesquisa IMPRENSA/ABERJE/Maxpress
Antônio Carlos Magalhães, Osvaldo Martins, Gaudêncio Torquato e Adélia Franceschini repercutem pesquisa IMPRENSA/ABERJE/Maxpress
Confira os comentários de Antônio Carlos Magalhães, Osvaldo Martins, Adélia Franceschini e Gaudêncio Torquato sobre a pesquisa IMPRENSA/ABERJE/Maxpress sobre o desempenho do governo Lula entre os jornalistas.
"Os jornalistas são investigativos e são pessoas bem-informadas. Quanto aos 92% que dizem que Lula sabia dos empréstimos, é um juízo correto, embora na população não seja assim. Nas provas contra José Dirceu, não apareceu nenhum documento, o que não significa que ele não tenha culpa. A evolução de 2003 a 2005 é verdadeira, mas acho que os jornalistas ainda foram generosos. É menos ainda.
Quanto aos acontecimentos políticos mais acompanhados pelos jornalistas, a CPI dos Correios tem sido mais atuante do que qualquer outra. Todo o Brasil tem acompanhado as CPIs com o maior interesse, certo de que não haverá acordo nem acordinho nem acórdão. Do contrário, o Congresso inteiro será punido."
Antônio Carlos Magalhães, senador (PFL-BA)
"Os 92% refletem o senso comum. Eu creio que se fizerem essa pesquisa em outros segmentos bem-informados da sociedade, o número não deve ser diferente. O professor Hélio Bicudo, uma figura acima de qualquer suspeita, em entrevista à revista Veja, afirma o que disseram os 92% com todas as letras e diz que o presidente Lula é um presidente de fato. O número que consideram o governo péssimo e ruim reflete mais uma vez o senso comum. Isso quer dizer que os jornalistas estão sintonizados com a opinião pública. Além de produzir informação, os jornalistas são os grandes consumidores de informação. A nota de 4,8 não surpreende. Talvez seja até mais severa do que o conceito do resto da sociedade, exatamente porque os jornalistas consomem muito mais notícia. O 4,8 é coerente com os 92%."
Osvaldo Martins, ombudsman da TV Cultura
"Os dados são até homogêneos de uma forma geral. A avaliação do Lula é abaixo do regular, é a pior avaliação das últimas feitas. Os profissionais com mais de 50 anos foram os que pior avaliaram. Ele foi mal avaliado em todo o país, embora no Norte e no Nordeste tenha sido um pouquinho melhor. Nesse público de jornalistas, não há tendência de piorar ainda mais, a menos que haja alguma informação bombástica. Entre os jornalistas, já está batendo 90% de acompanhamento, eles já estão acompanhando, até por dever de ofício. No público em geral, eles vão acompanhando aos poucos, tende a ser muito mais lerdo. A sociedade brasileira é pouco instruída para o acompanhamento de jornal. Parece que uma parte dos jornalistas julga que os empréstimos já existiam e que já sabiam. Outros supõem que ele sabia de tudo. A grande maioria diz que ele sabia de tudo, de pouco ou de muito. Os jornalistas estão inferindo que um problema desse porte não teria como acontecer sem que o presidente soubesse."
Adélia Franceschini, diretora do Instituto Franceschini de Análises de Mercado
"A pesquisa é uma leitura bastante pessimista do governo Lula. O governo abriu seus primeiros meses sob o signo da esperança. O Fome Zero era mais um slogan do que um programa. De lá para cá, o governo se amparou muito no marketing cosmético do Duda Mendonça. Os jornalistas estão na vanguarda dos setores que acompanham o governo com uma lupa mais acurada.
É claro que o Lula sabia dos empréstimos. O PT e Lula são unidos por um grande cordão umbilical. A cabeça da opinião pública, que são os comunicadores, acredita que o Dirceu estava chefiando o processo todo. A cabeça começa a irradiar para as margens da sociedade esse pensamento.
As TVs parlamentares são o plano de visibilidade mais imediato. O jornalista vai buscar direto na fonte. Eu imagino que o público deve também estar acompanhando. Uns 12% deles."
Gaudêncio Torquato, cientista político, jornalista e professor da USP






