Antonio Carlos Fom: um jornalista patriarca pelo destino
Antonio Carlos Fom: um jornalista patriarca pelo destino
O que você faria se descobrisse que é o patriarca de um clã milenar? Esta foi a surpresa que o jornalista Antônio Carlos Fon, um veterano das redações brasileiras - O Dia, Diário Popular, Veja, IstoÉ, e também do movimento sindical da categoria - foi presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo entre 1990 e 1993. "Sou comunista e por eu ser filho de chinês com brasileira, sempre procurei o equilíbrio durante minha vida. Sou favorável ao Conselho Federal de jornalismo, que relancei em 1990 e quase fui crucificado na época. Não me espanto pelas empresas serem contra, acho que isso é herança do padroeiro Santo Assis Chateaubriand. A imprensa é muito corrupta", comenta o jornalista.
A descoberta se deu quando seu irmão Atom Fom Filho, advogado criminalista e um dos assessores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), se encontrou com um advogado chinês, que estava de passagem pelo Brasil, e lhe mostrou algumas cartas que seu pai recebia, na esperança de que ele conseguisse alguma informação sobre sua família. Antes de continuar a história, voltemos no tempo. Em 1918, o jovem chinês Féng Tsai You fugiu de seu país com medo da guerra rumo ao Canadá, deixando seus dois filhos do primeiro casamento. Por motivos políticos, não conseguiu entrar no novo país e ficou vagando pela América Latina até que, no início dos anos 40, ele chegou em Salvador.
A funcionária do departamento de imigração brasileira, como não conseguia reproduzir em português o nome chinês, resolveu, por adoração ao Egito, registrar de maneira macarrônica o Atom e manteve o que seria o sobrenome, Fon. Por ser um ótimo jogador de Mahjong, uma espécie de dominó chinês, Atom ganhou duas tinturarias e acabou se casando com uma sertaneja, com quem teve mais quatro filhos. O chinês sempre tentou trazer seus primogênitos, mas a situação política internacional nunca permitiu. Em 1978, Atom faleceu sem conseguir reunir a família e assim perdeu-se o contato a China.
Em outubro deste ano, o irmão do jornalista foi para um encontro de advogados em Pequim e levou uma de suas irmãs. Conseguiram localizar clã Fon, num condado camponês chamado Enpim, com cerca de três mil habitantes, próximo a cidade de Jiang Men, província do Cantão, no sul da China.
Os dois irmãos seguiram para a cidade cheios de emoção. Descobriram que seus irmãos mais velhos haviam falecido e que, pela tradição e linha de sucessão, Antônio Carlos, seria o patriarca deste clã com mais de dois mil anos. Souberam também o verdadeiro nome de seu pai. "Meu irmão levou fotos minhas e contou que eles ficaram decepcionados por eu não ter filho homem, que é muito importante na tradição chinesa", comenta.
Como é muito caro ir para a China, um amigo de Antônio Carlos lhe deu a idéia de escrever um livro sobre a saga de seu pai e, ao mesmo tempo, traçar um paralelo entre a situação política do Brasil e da China. "Mas é um projeto demorado, pois precisarei fazer muita pesquisa", confessa.






