Ano começa com dois jornalistas mortos em menos de uma semana no México
O ano começou com alta carga de violência contra a imprensa do México, país considerado um dos mais perigosos do mundo para jornalistas. No espaço de uma semana, foram assassinados dois repórteres que cobriam temas ligados a segurança pública, cartéis de drogas, violência e corrupção.
Atualizado em 18/01/2022 às 21:01, por
Redação Portal Imprensa.
Margarito Martínez Esquivel frequentemente colaborava com veículos da mídia estrangeira, incluindo San Diego Union-Tribune, BBC, Los Angeles Times e Washington Post. Ele foi morto a tiros na frente de casa, na cidade de Tijuana, no dia 17 de janeiro. Crédito: Jorge Dueñes/Reuters Vizinhos, amigos e familiares observam local em que corpo de jornalista foi encontrado em Tijuana, no dia 17 de janeiro
“Infelizmente, não pude fazer nada por ele”, disse sua esposa, Elena Martínez, ao San Diego Union-Tribune. O coletivo de imprensa de Tijuana Yo Sí Soy Periodista (Sim, sou jornalista) exigiu uma investigação rápida sobre o assassinato de Martínez.
Uma semana antes, José Luis Gamboa, diretor do site de notícias Inforegio, foi morto a facadas no estado de Veracruz, outra região ultra-violenta do México.
Moldes dos dentes
Gamboa cobria a escalada do derramamento de sangue no país e alertava que partes do governo, em vez de combater o narcotráfico, associaram-se aos cartéis. “A população mexicana ainda não entendeu o quão sério isso é”, tuitou Gamboa dias antes de morrer.
No ano passado, nove jornalistas foram assassinados no México. Desde que o presidente Andrés Manuel López Obrador assumiu o poder, em dezembro de 2018, 29 jornalistas foram mortos no país.
Reportagem do The Guardian desta terça-feira, 18 de janeiro, relata que, em algumas regiões, os jornalistas mexicanos providenciam moldes de seus dentes. A ideia é que, em caso de eventual assassinato a mando de cartéis, amigos e parentes possam identificar seus restos mortais com mais facilidade.





