Ano bom para o tabaco. A nossa saúde que se dane
Ano bom para o tabaco. A nossa saúde que se dane
Atualizado em 19/02/2010 às 14:02, por
Wilson da Costa Bueno.
Ao que parece, a luta contra a influência nefasta da indústria tabagista na saúde e na qualidade de vida dos cidadãos precisa efetivamente se intensificar, com a mobilização crescente das autoridades, dos educadores, dos profissionais da saúde, das famílias e de todos nós, comunicadores, que repudiamos o lobby, a manipulação, a ganância do lucro em detrimento do interesse público.
Notícia publicada pelo jornal Valor Econômico (12 a 16 de fevereiro de 2010) sob o título "É proibido fumar, mas Souza Cruz comemora melhor ano da história), informa que a líder deste mercado (que dialoga com a morte o tempo todo) conseguiu fechar o ano passado com o maior lucro da história, algo em torno de R$1,48 bilhão, com aumento de 19% sobre o ano anterior.
Isso significa que, apesar das restrições, as estratégias utilizadas pela indústria do tabaco têm conseguido fazer aumentar os seus lucros, o que, trocado em miúdos, representa ameaça maior à saúde dos brasileiros. Mais gente estará morrendo em 2010 (o fumo mata milhões de pessoas todos os anos no mundo e centenas de milhares apenas no Brasil) e o sistema de saúde (logo, todos nós) acabará pagando a conta do marketing agressivo do setor.
Examinemos os números e os argumentos invocados pelo presidente da Souza Cruz, Dante Letti, para saudar este lucro recorde. Segundo ele, os bons resultados de 2009 se devem a um "forte trabalho de aperfeiçoamento do portfólio de marcas, maior capilaridade da distribuição e crescimento das vendas no Norte e Nordeste". Dá para ler, sem muito esforço, nas entrelinhas que, em havendo redução nas exportações, o esforço será feito sempre junto ao mercado interno e a saúde de milhões de cidadãos brasileiros estará pagando o pato literalmente.
Por que investir no Norte e Nordeste? Porque tem havido - e Dante Letti reconhece isso- um crescimento econômico destas regiões maior do que a média nacional, mas também porque boa parte da população ainda se encontra menos conscientizada por lá sobre os malefícios (bota malefícios nisso!) do fumo para a saúde. Esta é a estratégia da indústria da saúde e também dos fabricantes de bebidas alcóolicas não caras, como cachaça de qualidade duvidosa (estamos falando de drogas sim, embora lícitas), que, em todo o mundo, avança com sua boca enorme e predadora sobre as pessoas mais vulneráveis.
Se o tabaco causa tão mal e penaliza tanto a saúde dos cidadãos (mata sem dó!) por que os governos (e principalmente o nosso) não pega mais pesado sobre os fabricantes? Por que não aumentar ainda mais o preço do cigarro (o preço por aqui é um dos mais baratos do mundo e a indústria tem feito lançamentos para atingir as classes menos favorecidas)? Por que não barrar de vez qualquer tipo de propaganda (a do ponto de venda é vergonhosa!) e a associação que os fabricantes fazem em suas promoções (torneios esportivos e culturais, atividades ditas comunitárias etc)? Por que não aumentar de verdade o nível de conscientização nas escolas , nas igrejas, em todo o lugar, contemplando sobretudo as pessoas simples e os jovens?
É preciso reconhecer que setores do Governo (Ministério da Saúde com o ministro Temporão à frente) , o INCA - Instituto Nacional do Câncer , com os seus especialistas de reconhecido valor, têm travado luta insana contra a indústria do tabaco, mas o lobby é formidável , envolve parlamentares e há suspeitas inclusive recaindo sobre governadores (pois não circulou a informação de subsídio/incentivo para aumento do parque gráfico da Souza Cruz no RS?).
A postura da indústria do tabaco pode ser conferida em reportagens, em links (aos milhares e milhares em todo o mundo) nos principais sites de busca e não se pode ignorar todo o trabalho que ela tem desenvolvido para aumentar o consumo do cigarro em todo o mundo (como sofrem os habitantes dos países subdesenvolvidos e das populações desfavorecidas dos países em desenvolvimento ou ricos, objetos deste marketing nefasto).
Está na hora de o Governo, da sociedade, de todos nós aumentarmos o coro, intensificarmos a pressão sobre todos os setores que têm avançado terrivelmente sobre a nossa saúde, como a indústria do tabaco, dos agrotóxicos, parcela considerável da indústria farmacêutica (a Big Pharma não passa de lobo em pele de carneiro), a indústria de bebidas, do amianto, o fast food e outros menos votados.
Uma alternativa importante - e tem sido recorrentemente pensada , mas ninguém leva à frente sabe-se lá qual a razão - é estimar o custo do tabaco para o sistema de saúde dos Estados e da Federação e exigir que os fabricantes paguem literalmente essa conta. Essa história de que eles pagam muitos impostos é pra boi dormir porque, na prática, o custo que recai sobre as nossas costas é muito maior. Na verdade, se houvesse uma lógica mais coerente, mais humana, no capitalismo selvagem, aqueles que fabricam e comercializam produtos que matam e mutilam pessoas deveriam ser brutalmente penalizados, mas, pelo que se vê na reportagem citada do Valor Econômico, eles estão sorridentes como nunca porque o negócio de "matar pessoas" é altamente lucrativo.
Nos Estados Unidos, há alguns anos, a indústria do tabaco fez um acordo bilionário (estamos falando em dólares, hein?) com vários Estados exatamente para barrar processos que contemplavam o prejuízo do fumo para o sistema de saúde norte-americano. Por aqui, a Justiça continua dando ganho de causa para os fabricantes em processos movidos por consumidores que tiveram a vida destruída pelo vício. E a indústria do tabaco dá gargalhadas.
Há lutas que não podem ser deixadas de lado e essa contra a indústria do tabaco (que emprega efetivamente milhares de pessoas) é uma delas e deve merecer a atenção de todos nós.
Diferentemente da Souza Cruz, a sociedade brasileira não estará festejando o recorde nos lucros e comemorando um 2010 que promete ser ainda melhor para os fabricantes de drogas lícitas. Em nome dos milhares de brasileiros que sofrerão na pele (no pulmão, no coração, na laringe, no pâncreas etc etc) o poder destruidor do tabaco neste e nos próximos anos, estamos todos de luto.
Não deve ser coincidência (será que Freud explica?) que os maiores fabricantes de cigarros por aqui tenham "cruz "e "morris" no nome. É preciso repetir sempre: cigarro mata e propaganda ou ações mercadológicas que incentivam o consumo precisam ser coibidas com rigor.
Aumento de preços, indenização justa pelo prejuízo ao sistema de saúde, cerco total ao marketing agressivo da indústria do tabaco e um esforço ainda maior de conscientização, sobretudo junto aos jovens e pessoas menos informadas ou simples, são medidas que devem ser sempre implementadas .
Mais do que nunca, é preciso ter em mente uma coisa: não dá para dormir, cochilar diante de lobbies e estratégias de comunicação/marketing tão agressivos e tão nocivos para a sociedade.
Em nome da saúde e da qualidade de vida, devemos fazer alguma coisa, denunciar, exigir providências drásticas e urgentes. O argumento cínico da liberdade de escolha precisa ser literalmente apagado. O tabaco mata. Alguém dúvida?

Notícia publicada pelo jornal Valor Econômico (12 a 16 de fevereiro de 2010) sob o título "É proibido fumar, mas Souza Cruz comemora melhor ano da história), informa que a líder deste mercado (que dialoga com a morte o tempo todo) conseguiu fechar o ano passado com o maior lucro da história, algo em torno de R$1,48 bilhão, com aumento de 19% sobre o ano anterior.
Isso significa que, apesar das restrições, as estratégias utilizadas pela indústria do tabaco têm conseguido fazer aumentar os seus lucros, o que, trocado em miúdos, representa ameaça maior à saúde dos brasileiros. Mais gente estará morrendo em 2010 (o fumo mata milhões de pessoas todos os anos no mundo e centenas de milhares apenas no Brasil) e o sistema de saúde (logo, todos nós) acabará pagando a conta do marketing agressivo do setor.
Examinemos os números e os argumentos invocados pelo presidente da Souza Cruz, Dante Letti, para saudar este lucro recorde. Segundo ele, os bons resultados de 2009 se devem a um "forte trabalho de aperfeiçoamento do portfólio de marcas, maior capilaridade da distribuição e crescimento das vendas no Norte e Nordeste". Dá para ler, sem muito esforço, nas entrelinhas que, em havendo redução nas exportações, o esforço será feito sempre junto ao mercado interno e a saúde de milhões de cidadãos brasileiros estará pagando o pato literalmente.
Por que investir no Norte e Nordeste? Porque tem havido - e Dante Letti reconhece isso- um crescimento econômico destas regiões maior do que a média nacional, mas também porque boa parte da população ainda se encontra menos conscientizada por lá sobre os malefícios (bota malefícios nisso!) do fumo para a saúde. Esta é a estratégia da indústria da saúde e também dos fabricantes de bebidas alcóolicas não caras, como cachaça de qualidade duvidosa (estamos falando de drogas sim, embora lícitas), que, em todo o mundo, avança com sua boca enorme e predadora sobre as pessoas mais vulneráveis.
Se o tabaco causa tão mal e penaliza tanto a saúde dos cidadãos (mata sem dó!) por que os governos (e principalmente o nosso) não pega mais pesado sobre os fabricantes? Por que não aumentar ainda mais o preço do cigarro (o preço por aqui é um dos mais baratos do mundo e a indústria tem feito lançamentos para atingir as classes menos favorecidas)? Por que não barrar de vez qualquer tipo de propaganda (a do ponto de venda é vergonhosa!) e a associação que os fabricantes fazem em suas promoções (torneios esportivos e culturais, atividades ditas comunitárias etc)? Por que não aumentar de verdade o nível de conscientização nas escolas , nas igrejas, em todo o lugar, contemplando sobretudo as pessoas simples e os jovens?
É preciso reconhecer que setores do Governo (Ministério da Saúde com o ministro Temporão à frente) , o INCA - Instituto Nacional do Câncer , com os seus especialistas de reconhecido valor, têm travado luta insana contra a indústria do tabaco, mas o lobby é formidável , envolve parlamentares e há suspeitas inclusive recaindo sobre governadores (pois não circulou a informação de subsídio/incentivo para aumento do parque gráfico da Souza Cruz no RS?).
A postura da indústria do tabaco pode ser conferida em reportagens, em links (aos milhares e milhares em todo o mundo) nos principais sites de busca e não se pode ignorar todo o trabalho que ela tem desenvolvido para aumentar o consumo do cigarro em todo o mundo (como sofrem os habitantes dos países subdesenvolvidos e das populações desfavorecidas dos países em desenvolvimento ou ricos, objetos deste marketing nefasto).
Está na hora de o Governo, da sociedade, de todos nós aumentarmos o coro, intensificarmos a pressão sobre todos os setores que têm avançado terrivelmente sobre a nossa saúde, como a indústria do tabaco, dos agrotóxicos, parcela considerável da indústria farmacêutica (a Big Pharma não passa de lobo em pele de carneiro), a indústria de bebidas, do amianto, o fast food e outros menos votados.
Uma alternativa importante - e tem sido recorrentemente pensada , mas ninguém leva à frente sabe-se lá qual a razão - é estimar o custo do tabaco para o sistema de saúde dos Estados e da Federação e exigir que os fabricantes paguem literalmente essa conta. Essa história de que eles pagam muitos impostos é pra boi dormir porque, na prática, o custo que recai sobre as nossas costas é muito maior. Na verdade, se houvesse uma lógica mais coerente, mais humana, no capitalismo selvagem, aqueles que fabricam e comercializam produtos que matam e mutilam pessoas deveriam ser brutalmente penalizados, mas, pelo que se vê na reportagem citada do Valor Econômico, eles estão sorridentes como nunca porque o negócio de "matar pessoas" é altamente lucrativo.
Nos Estados Unidos, há alguns anos, a indústria do tabaco fez um acordo bilionário (estamos falando em dólares, hein?) com vários Estados exatamente para barrar processos que contemplavam o prejuízo do fumo para o sistema de saúde norte-americano. Por aqui, a Justiça continua dando ganho de causa para os fabricantes em processos movidos por consumidores que tiveram a vida destruída pelo vício. E a indústria do tabaco dá gargalhadas.
Há lutas que não podem ser deixadas de lado e essa contra a indústria do tabaco (que emprega efetivamente milhares de pessoas) é uma delas e deve merecer a atenção de todos nós.
Diferentemente da Souza Cruz, a sociedade brasileira não estará festejando o recorde nos lucros e comemorando um 2010 que promete ser ainda melhor para os fabricantes de drogas lícitas. Em nome dos milhares de brasileiros que sofrerão na pele (no pulmão, no coração, na laringe, no pâncreas etc etc) o poder destruidor do tabaco neste e nos próximos anos, estamos todos de luto.
Não deve ser coincidência (será que Freud explica?) que os maiores fabricantes de cigarros por aqui tenham "cruz "e "morris" no nome. É preciso repetir sempre: cigarro mata e propaganda ou ações mercadológicas que incentivam o consumo precisam ser coibidas com rigor.
Aumento de preços, indenização justa pelo prejuízo ao sistema de saúde, cerco total ao marketing agressivo da indústria do tabaco e um esforço ainda maior de conscientização, sobretudo junto aos jovens e pessoas menos informadas ou simples, são medidas que devem ser sempre implementadas .
Mais do que nunca, é preciso ter em mente uma coisa: não dá para dormir, cochilar diante de lobbies e estratégias de comunicação/marketing tão agressivos e tão nocivos para a sociedade.
Em nome da saúde e da qualidade de vida, devemos fazer alguma coisa, denunciar, exigir providências drásticas e urgentes. O argumento cínico da liberdade de escolha precisa ser literalmente apagado. O tabaco mata. Alguém dúvida?






