Anatel cobrará explicações de empresas por venda de registros de chamadas

Anatel cobrará explicações de empresas por venda de registros de chamadas

Atualizado em 15/09/2008 às 10:09, por Redação Portal IMPRENSA.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) cobrará explicações das empresas de telefonia sobre o comércio ilegal dos registros de chamadas telefônicas e torpedos de assinantes - que têm sigilo protegido por lei -, que podem ser obtidos por menos de R$ 1 mil por pessoas que se dizem detetives particulares ou funcionários das teles, informou a Folha Online.

A interpretação da cúpula da agência - que foi duramente criticada por parlamentares da oposição e do próprio governo pela falta de fiscalização no setor - é a de que, como os dados adquiridos de terceiros batem com os registros de ligações e mensagens dos assinantes, eles só podem ter saído das empresas. Por isso, explicou a assessoria da agência, é preciso saber "o limite de responsabilidade" das companhias.

Os senadores Álvaro Dias (PSDB-PR) e Aloizio Mercadante (PT-SP) e o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) compraram, de diferentes vendedores, dados referentes a ligações feitas, recebidas e torpedos enviados dos celulares que utilizam. Só os registros de Mercadante não conferiram com a conta da operadora.

"Quando o governo não se controla e nem controla os serviços de proteção e segurança, não se pode esperar outra coisa, que não uma desordem total nessa área", disse o presidente do PSDB, Sérgio Guerra. "A Anatel tem grande responsabilidade porque cabe a ela fiscalizar as operadoras. Há conluio dos funcionários com pessoas interessadas nessas informações", disse o deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP), membro da CPI dos Grampos.

Líder do governo na Câmara, o deputado Henrique Fontana (PT-RS) disse que a agência deve ser "extremamente rápida e firme" para agir e coibir a ação de detetives particulares e funcionários que têm comercializado extratos dos assinantes. Fontana sugeriu que o Ministério Público investigue se há participação das empresas na quebra do sigilo.

"Há leis que proíbem a quebra de sigilo, portanto, não faltam regras, mas o cumprimento e melhor fiscalização delas", avaliou.

Para o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Cezar Britto, a falta de controle do próprio governo sobre os seus investigadores serve de estímulo para que o cidadão também recorra a esses métodos. Segundo a Folha Online, as assessorias das companhias telefônicas foram procuradas, mas não foram encontradas para comentar o assunto.

Leia mais