Ana Paula Padrão entre a Bahia e o horário nobre

Ana Paula Padrão entre a Bahia e o horário nobre

Atualizado em 04/03/2005 às 17:03, por Pedro Venceslau e Renata Toledo Piza - pedrovenceslau@portalimprensa.com.br.

Por Pedro Venceslau e Renata Toledo Piza - pedrovenceslau@portalimprensa.com.br



O estúdio ainda estava sendo preparado quando Ana Paula Padrão chegou pontualmente, às 11h da manhã. Naquela sexta-feira, uma equipe de fotógrafos, produtores, estagiários e repórteres recebeu as três melhores jornalistas de 2004, eleitas pela IMPRENSA, para preparar a grande foto da capa da edição de março. Além de Ana Paula, também posaram para as lentes de Beto Lima, Adolfo Vargas e Airton Suzuki as jornalistas Daniela Falcão, diretora das revistas TRIP e TPM, e Lúcia Hippólito, da CBN. Entre um cafezinho e outro, antes dos flashes, Ana Paula conversou com Portal IMPRENSA, quando falou sobre sua rotina notívaga e a obra que é menina dos seus olhos: uma bela casa no litoral da Bahia.

Portal IMPRENSA: Ontem, depois que você disse boa noite, lá pela 1h da madrugada, eu desliguei a TV e fui dormir. Enquanto isso, você ainda foi para casa, tomou banho, jantou...E cá estamos, às 11h da manhã, de pé, para as fotos. Que horas você vai para a cama?
Ana Paula: (risos) Ver [o Jornal da Globo] da caminha é fácil, né...Ontem até que cheguei rápido. Lá pelas 2 e pouco já estava em casa, indo dormir. Mas nem sempre é assim. Tem dia que chego depois das três, como na noite da eleição da Câmara.

Portal IMPRENSA: Não deve ser fácil sair do trabalho tão tarde. Você consegue dormir logo, ou fica fritando na cama?
Ana Paula: Quando começei a apresentar o "Jornal da Globo" eu não conseguia chegar e dormir. Até tentava ir para cama logo, mas ficava lá, olhando para o teto. Depois fui me acostumando. Hoje nem ligo a TV, nem acesso a Internet, nada. Chego e vou para a cama. Se não fizer isso, acabo ficando acordada até de manhã. Antes eu acordava meio-dia e não tinha tempo para nada, já que ás 14:00 tenho de estar na Globo para a primeira reunião.



Portal IMPRENSA:
E hoje, que horas você acorda?
Ana Paula: Entre 9h e 9h30. Mesmo assim a manhã passa voando. Vou cuidar da piscina, olhar e-mail, ligar para a Bahia para ver as coisas da obra...Depois, almoço com alguma fonte, resolvo um probleminha aqui, outro ali e pronto, já deu a hora de ir para a Globo. Já chego lá cansada (risadas)

Portal IMPRENSA: Casa na Bahia...
Ana Paula:
É, estou construindo uma casa lá. Amanhã (sábado), às 7h30 pego um avião e vou para lá. Tenho ido pelo menos uma vez por mês.

Portal IMPRENSA: As séries de reportagens que você costuma fazer, como o especial sobre mulheres apresentado em 2004, são idéias suas ou partem da produção do Jornal da Globo?
Ana Paula: Todas foram idéias minhas. Eu penso a pauta, tem de ser alguma coisa interessante e factível, faço o projeto e tento vender para a direção de jornalismo. Tem dado certo, eles têm aceitado as idéias...



Portal IMPRENSA:
Você sente necessidade às vezes de sair de trás da bancada e ir para a rua, de se aventurar, como no caso do Afeganistão: uma mulher na terra dos Talebãs?
Ana Paula: É, a reportagem corre nas veias. Mas no caso do Afeganistão até que foi fácil fazer as reportagens. O difícil foi o visto. Ficamos dois anos negociando esse visto. Mas o fato de ser mulher até ajudou porque, para fazer o especial - Mulheres no mundo - no Afeganistão, eu fui a lugares em que os homens não podiam entrar. Fui a escolas clandestinas para meninas, hospitais para mulheres etc. onde só entrei por ser mulher.

Portal IMPRENSA:
Qual momento profissional você destacaria como o seu melhor em 2004?
Ana Paula: Foi no Afeganistão. Fui cobrir um casamento arranjado. Como era proibida a entrada de homens, e o cinegrafista era homem, eu mesma fiz as imagens. A noivinha - ela devia ter uns 17 anos - , quando entrou na cerimônia, foi a pessoa mais triste que eu já vi em minha vida. Eu acredito que o dia do casamento seja o mais feliz na vida de uma mulher, mas ali era o contrário. E as imagens que fiz conseguiram passar essa tristeza pela TV. Na infelicidade daquela noivinha, retratei a tristeza de todas as mulheres afegãs.

Portal IMPRENSA: Você acredita que as mulheres jornalistas ainda sofram algum tipo de preconceito - seja de tratamento ou relacionado a diferenças salariais?
Ana Paula: Não. Esse não é um mercado preconceituoso. É aquela história: quem não tem competência, não se estabelece, independente de ser mulher ou homem. Acho que já superamos essa discussão. Isso ficou lá nos anos 80.

Portal IMPRENSA: No levantamento do número e dos cargos ocupados por homens e mulheres nas redações do país, feito por nossa equipe, descobrimos que a maioria dos cargos de chefia é ocupada por eles . Como você analisa isso?
Ana Paula: Será que as mulheres não ocupam tantos cargos de chefia quantos os homens por preconceito ou porque elas simplesmente não querem, porque elas estão buscando a qualidade de vida, tempo para a família, e para o lazer? Eu falo por experiência própria. Trabalho 14 horas por dia e quero encontrar o equilíbrio para fazer outras coisas, cuidar de casa etc.