Ameaçado de morte, diretor de jornal no Peru é obrigado a se passar por clandestino
Ameaçado de morte, diretor de jornal no Peru é obrigado a se passar por clandestino
Paul Garay, diretor do semanário Del Pueblo e colaborador de Radio Estéreo 92.9 na cidade de Pucallpa, no Peru, foi forçado a passar para a clandestinidade no fim do mês de abril, depois de receber ameaças de morte e sofrer uma tentativa de seqüestro.
O jornalista suspeita que o prefeito da cidade, já acusado de implicação no assassinato de um jornalista em 2004, e um antigo presidente do governo departamental de Ucayali, podem ter relações com as tentativas de intimidação.
A organização Repórteres sem Fronteiras declarou que "o exílio de um jornalista representa um revés para a liberdade de imprensa, e pedimos que se adotem todas as medidas de proteção à Paul Garay, para evitar que tenha que se chegar a esse extremo. Uma vez mais, a situação do diretor do semanário é un exemplo do incrível sentimento de impunidade que alguns cargos políticos têm".
As ameaças a Paul Garay começaram depois da publicação, em 1º de abril, de um artigo em que o jornalista denunciava uma fraude imobiliária que teria beneficiado Edwin Vásquez López, antigo presidente do Departamento de Ucayali. No mesmo dia apareceram na casa do diretor do Del Pueblo indivíduos cumprindo ordens do ex-dirigente departamental.
Garay declarou que "me agrediram em uma tentativa de seqüestro, levado a cabo por capangas do ex-presidente regional Edwin Vásquez López, que a fiscalização está investigando como possível depredador de bosques na Amazônia peruana".
Desde então, várias vezes pessoas desconhecidas foram buscá-lo. "Queriam me tirar de casa para me matar, não há outra explicação. As autoridades policiais não me deram respaldo, aqui é terra de ninguém", disse o jornalista.
Além disso, as relações do jornalista com o prefeito de Pucallpa, Luis Valdez Villacorta, se deterioraram, e ele pensa em deixar o país. Garay o considera suspeito de ser o autor intelectual do assassinato de Alberto Rivera Fernández, da emissora Frecuencia Oriental, que foi morto a disparos no dia 21 de abril de 2004.
Em novembro do mesmo ano, Villacorta foi absolvido pela justiça. O jornalista denunciou também a implicação do prefeito em um assunto de mau uso de fundos municipais, destinados a um programa de ajuda alimentícia para crianças.
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