Alunos da Unifesp e jornalistas têm desentendimento durante ocupação

Alunos da Unifesp e jornalistas têm desentendimento durante ocupação

Atualizado em 23/10/2007 às 19:10, por Cristiane Prizibisczki/Redação Portal IMPRENSA.

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Jornalistas de alguns veículos de São Paulo e Guarulhos e alunos que ocupam o campus Guarulhos da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) tiveram um desentendimento, durante a última segunda-feira (22), no momento em que dois oficiais de Justiça foram ao local para apresentar a liminar de reintegração de posse solicitada pela instituição.

Segundo profissionais dos jornais O Estado de S.Paulo e Diário de Guarulhos , os estudantes foram hostis, se recusaram a dar entrevista, não autorizaram fotos de seus rostos e não citaram nomes completos, chegando a usar tom de voz alterado ao se dirigir aos os profissionais.

"Eles nos chamaram e, quando chegamos lá, nos deixaram três horas esperando na chuva para dizer que não dariam entrevista. Também não queriam que fotógrafo entrasse sem repórter acompanhando e não deram nomes completos. Uma estudante disse: 'Se a gente não deixa nem tirar foto, vai dar o nome completo, se toca'", disse Renata Cafardo, do jornal OESP.

O início da discussão, de acordo com uma repórter do Diário de Guarulhos , ocorreu no momento em que os alunos não deixaram os jornalistas acompanharem os oficiais de justiça dentro do prédio da Unifesp. "A alegação dos alunos é que a imprensa deturpa o que eles falam. Eles também estavam bravos porque acreditavam que sabíamos que o oficial de Justiça iria lá naquele momento. Nós discutimos, nos exaltamos", disse.

As jornalistas também informaram que, logo na entrada da área ocupada, é possível saber a opinião dos estudantes sobre os profissionais da imprensa. No local, está estendida uma faixa que diz "Imprensa vendida, manipulada".

De acordo com uma estudante da Universidade, que não quis ser identificada, as reclamações das profissionais não têm procedência. Para ela, a hostilização partiu dos jornalistas e não dos estudantes. "Eu não disse nada diretamente para a imprensa, estava orientando um companheiro nosso a não dar entrevista, o que é nosso direito. Eles nos agrediram verbalmente e começaram a rir da minha cara", disse.

O motivo para a proibição da entrada de fotógrafos sem que estivessem acompanhados de jornalistas, segundo os estudantes, é que, por várias vezes, foram publicadas matérias com imagens do local sem que os participantes da ocupação tivessem sido entrevistados.

A estudante também contestou o fato de que foram os alunos que solicitaram a presença dos veículos. "Nós os havíamos chamado no começo da ocupação. Especificamente ontem não chamamos, mesmo porque não tínhamos como saber que o oficial viria. A liminar foi expedida na sexta-feira e, desde então, aguardávamos a vinda do oficial. Como é que os jornalistas sabiam que exatamente na segunda-feira à tarde é que ele viria", questiona.

Procurados pela redação, os jornais OESP e Diário de Guarulhos preferiram não se manifestar a respeito da alegação dos alunos. Segundo apurou o Portal IMPRENSA, apenas as jornalistas do OESP e do Diário de Guarulhos tiveram problemas com os participantes da ocupação.