Alunos da ESPM debatem “Bolsa Família” em documentário feito para TCC
Catharina Obeid, Manuela Rached e Renato Bonfim são formados em Jornalismo pela Escola Superior de Propaganda e Marketing – ESPM de São Paul
Atualizado em 18/10/2017 às 15:10, por
Redação Portal IMPRENSA.
Crédito:Reprodução Libertar o. O trio é responsável pelo documentário "Libertar - Relatos de Guaribanas do Bolsa Família”, que conta a história de cinco mulheres da cidade de Guaribas, no Piauí, que recebem o benefício do governo.
No início dos anos 2000, o município apresentava um dos menores índices de IDH do Brasil. Em 2003, a cidade passou a receber o programa de distribuição de renda. No filme, com cerca de 25 minutos, as beneficiárias do “Bolsa Família” esclarecem a necessidade e as melhorias que a iniciativa proporcionaram para suas vidas e de suas famílias, garantindo mínimas condições de alimentação e estrutura financeira para os estudos de seus filhos.
“Diferentemente do que imaginávamos, nossa principal dificuldade não foi relacionada a quantidade de equipamentos que tivemos que carregar, montar e nos preocupar. Foi, na verdade, uma coisa muito mais simples: a linguagem”, aponta Catharina.
“Por termos estudado o assunto, lido livros e feito uma pesquisa acadêmica bastante abrangente, chegamos amparados a uma fala formal, com palavras que não faziam parte do cotidiano delas, como ‘empoderamento’, ‘poder de compra’ e outros tantos termos técnicos. Logo na primeira entrevista já percebemos que teríamos que mudar bruscamente nossa fala se quiséssemos nos aproximar delas. Foi o que fizemos”, diz.
“Mesmo com todas as dificuldades técnicas da produção do projeto, entendo que o meu maior desafio foi saber como me aproximar daquelas mulheres e saber abordar assuntos tão distantes da minha realidade, mas que fizeram e fazem parte da vida delas todos os dias. Fome, sede, miséria e seca são alguns deles”, aponta Manuela.
Catharina conta que duas percepções causaram maior impacto nela. “A primeira é a importância da religião na vida dessas pessoas, mais precisamente da fé. Para entender basta se imaginar em uma região afastada, com acesso apenas por uma estrada de terra e sem oportunidade alguma de conseguir um emprego, uma garantia de renda fixa. Já a segunda é justamente a consequência de tamanha fé em uma situação como essa: perceber a felicidade genuína em poder gastar esses cento e poucos reais – não mais que isso – na saúde, educação e alimentação de seus filhos. Porque essas mulheres com quem falamos são também mães que estão realizando seu maior sonho: dar para seus filhos um futuro melhor do que o que elas tiveram. Um fado. Um destino”, declara.
Ela destaca que o maior benefício que tirou do processo de realização do TCC foi a experiência de vida. Ver a felicidade nas coisas mais simples da vida. “Num feijão de corda que brota, no crescer de um milharal, num par de chinelas, num caderno escolar”, afirma.
A ideia de viajar para cobrir uma realidade distante começou como um sonho e, aos poucos, foi se tornando realidade, lembra a jornalista. “Falando com inúmeras pessoas que também já tinham feito o trabalho de conclusão de curso, tanto em jornalismo quanto em outras áreas, percebi que a grande maioria o fazia como obrigação”, relata.
“Com a produção do ‘Libertar’, aprendi aos poucos, a escutar e respeitar espaços e estórias que não eram minhas, e tentar captar sons, imagens e relatos, de forma que a minha presença no caminho de personagens tão fortes fosse esquecida, mesmo que por alguns minutos e com a ajuda da edição”, detalha Manuela.
“Eu sempre encarei como uma oportunidade de encerrar um ciclo com louvor, fazendo o que gosto e desfrutando de todos os aprendizados que a faculdade e os estágios me proporcionaram. Via como uma possibilidade de abrir portas. Inúmeros veículos de comunicação publicaram matérias sobre o documentário, nosso número de visualizações superou o esperado (10 mil em menos de um mês), fomos entrevistados na TV e até o ex-presidente Lula publicou uma das notícias que contavam sobre o ‘Libertar’”, comemora Catharina.
Para quem está passando pelo processo do TCC, a jornalista dá algumas orientações. “Corra atrás, acredite e dê seu máximo para fazer o trabalho se tornar realidade. Não vai ficar tão perfeito como você idealizou, haverá erros, imprevistos e inúmeras dificuldades, mas desde que seja o que você acredita, vai valer a pena. Aproveite essa tarefa árdua que é produzir um trabalho em tão pouco tempo e faça sobre o que você gosta, na plataforma que você se identifica, projetando seu portfólio, as oportunidades que podem te trazer e o crescimento pessoal e profissional que isso pode significar”.
Segundo Manuela, a dica é aproveitar o TCC para colocar em prática os interesses pessoais. “Mais do que o resultado daquilo que vocês aprenderam na graduação, é a chance de vocês realizarem um projeto de interesse pessoal que pode ser levado pra vida, como foi o caso do ‘Libertar’, para mim”, conclui.
Assista ao documentário:
Saiba mais:
No início dos anos 2000, o município apresentava um dos menores índices de IDH do Brasil. Em 2003, a cidade passou a receber o programa de distribuição de renda. No filme, com cerca de 25 minutos, as beneficiárias do “Bolsa Família” esclarecem a necessidade e as melhorias que a iniciativa proporcionaram para suas vidas e de suas famílias, garantindo mínimas condições de alimentação e estrutura financeira para os estudos de seus filhos.
“Diferentemente do que imaginávamos, nossa principal dificuldade não foi relacionada a quantidade de equipamentos que tivemos que carregar, montar e nos preocupar. Foi, na verdade, uma coisa muito mais simples: a linguagem”, aponta Catharina.
“Por termos estudado o assunto, lido livros e feito uma pesquisa acadêmica bastante abrangente, chegamos amparados a uma fala formal, com palavras que não faziam parte do cotidiano delas, como ‘empoderamento’, ‘poder de compra’ e outros tantos termos técnicos. Logo na primeira entrevista já percebemos que teríamos que mudar bruscamente nossa fala se quiséssemos nos aproximar delas. Foi o que fizemos”, diz.
“Mesmo com todas as dificuldades técnicas da produção do projeto, entendo que o meu maior desafio foi saber como me aproximar daquelas mulheres e saber abordar assuntos tão distantes da minha realidade, mas que fizeram e fazem parte da vida delas todos os dias. Fome, sede, miséria e seca são alguns deles”, aponta Manuela.
Catharina conta que duas percepções causaram maior impacto nela. “A primeira é a importância da religião na vida dessas pessoas, mais precisamente da fé. Para entender basta se imaginar em uma região afastada, com acesso apenas por uma estrada de terra e sem oportunidade alguma de conseguir um emprego, uma garantia de renda fixa. Já a segunda é justamente a consequência de tamanha fé em uma situação como essa: perceber a felicidade genuína em poder gastar esses cento e poucos reais – não mais que isso – na saúde, educação e alimentação de seus filhos. Porque essas mulheres com quem falamos são também mães que estão realizando seu maior sonho: dar para seus filhos um futuro melhor do que o que elas tiveram. Um fado. Um destino”, declara.
Ela destaca que o maior benefício que tirou do processo de realização do TCC foi a experiência de vida. Ver a felicidade nas coisas mais simples da vida. “Num feijão de corda que brota, no crescer de um milharal, num par de chinelas, num caderno escolar”, afirma.
A ideia de viajar para cobrir uma realidade distante começou como um sonho e, aos poucos, foi se tornando realidade, lembra a jornalista. “Falando com inúmeras pessoas que também já tinham feito o trabalho de conclusão de curso, tanto em jornalismo quanto em outras áreas, percebi que a grande maioria o fazia como obrigação”, relata.
“Com a produção do ‘Libertar’, aprendi aos poucos, a escutar e respeitar espaços e estórias que não eram minhas, e tentar captar sons, imagens e relatos, de forma que a minha presença no caminho de personagens tão fortes fosse esquecida, mesmo que por alguns minutos e com a ajuda da edição”, detalha Manuela.
“Eu sempre encarei como uma oportunidade de encerrar um ciclo com louvor, fazendo o que gosto e desfrutando de todos os aprendizados que a faculdade e os estágios me proporcionaram. Via como uma possibilidade de abrir portas. Inúmeros veículos de comunicação publicaram matérias sobre o documentário, nosso número de visualizações superou o esperado (10 mil em menos de um mês), fomos entrevistados na TV e até o ex-presidente Lula publicou uma das notícias que contavam sobre o ‘Libertar’”, comemora Catharina.
Para quem está passando pelo processo do TCC, a jornalista dá algumas orientações. “Corra atrás, acredite e dê seu máximo para fazer o trabalho se tornar realidade. Não vai ficar tão perfeito como você idealizou, haverá erros, imprevistos e inúmeras dificuldades, mas desde que seja o que você acredita, vai valer a pena. Aproveite essa tarefa árdua que é produzir um trabalho em tão pouco tempo e faça sobre o que você gosta, na plataforma que você se identifica, projetando seu portfólio, as oportunidades que podem te trazer e o crescimento pessoal e profissional que isso pode significar”.
Segundo Manuela, a dica é aproveitar o TCC para colocar em prática os interesses pessoais. “Mais do que o resultado daquilo que vocês aprenderam na graduação, é a chance de vocês realizarem um projeto de interesse pessoal que pode ser levado pra vida, como foi o caso do ‘Libertar’, para mim”, conclui.
Assista ao documentário:
*A 3.ª edição do Professor IMPRENSA presta uma homenagem aos Orientadores de TCC. Conheça os professores mais lembrados de todo o Brasil e dê o seu voto pelo site www.portalimprensa.com.br/professorimprensa.
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