Alunas da PUC - Campinas produzem documentário sobre Sem Terra
Alunas da PUC - Campinas produzem documentário sobre Sem Terra
O vídeo-documentário "Mulheres da terra - da lona ao concreto", elaborado no segundo semestre de 2003, na disciplina Projeto Experimental, do 4º ano de Jornalismo da PUC-Campinas, não tem como objetivo resgatar a questão agrária brasileira, tampouco analisar o sistema organizacional dos acampamentos e assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST. Sua intenção é retratar o cotidiano das mulheres que integram os acampamentos do MST, na época as imagens foram feitas em Cajamar, onde o acampamento então se encontrava, e os assentamentos, de Sumaré, proporcionando para o público uma versão do assunto que a grande imprensa não prioriza. Na verdade, a intenção é mostrar que as mulheres não são meras coadjuvantes do Movimento, mas sim sujeitos de sua ação.
Em destaque na mídia, observa-se a predominância da figura masculina, como se a mulher, num segundo plano, agisse a partir das decisões tomadas pelos homens. A intenção deste vídeo-documentário é, então, mostrar que dentro do Movimento não há diferenças na divisão das funções entre homens e mulheres, revelando a importância da figura feminina no processo de formação, desenvolvimento e construção de um acampamento, até o tão esperado assentamento, conquistas das lutas e pressões do MST para a Reforma Agrária.
O Governo Lula, resultado de uma das maiores mobilizações do povo brasileiro na história do País, trouxe à tona as reivindicações de movimentos populares, como o MST. Ocupando espaços diários nos telejornais de grande audiência nacional e também nos impressos de grande circulação, principalmente em situações conflituosas como ocupações de terras, de prédios públicos, em manifestações organizadas e em repercussões de declarações de seus dirigentes, o MST é abordado na mídia, na maioria das vezes, superficialmente. As ações do Movimento carecem de um aprofundamento maior da imprensa, enfocando não só suas peculiaridades como movimento social, mas também as conquistas e buscas de seus ideais, e dos que compõem sua estrutura organizacional.
No vídeo, a intenção é enfocar minuciosamente o lado humanístico de suas integrantes, menosprezado nos noticiários diários. Pouco se conhece da participação das mulheres sem-terra, de suas mobilizações e das conquistas ao lado dos companheiros. Com esse intuito, o documentário "Mulheres da terra - da lona ao concreto" destaca três personagens femininas escolhidas para serem guias. Estas, por sua vez, apresentam, com o auxílio de outros personagens, homens e mulheres, qual é o papel e a relevância da mulher no MST.
O vídeo proporciona, então, uma reflexão de como a organização dos integrantes do Movimento Sem Terra difere dos padrões culturais e morais vigentes na sociedade, aquela em que a mulher ainda luta para ser reconhecida, sem aceitar passivamente ficar em segundo plano na vida social, econômica e política do País.
No documentário, o telespectador tem a oportunidade de conhecer quão grande é a participação da mulher dentro do MST, o que não se vê na grande imprensa: por meio da própria subjetividade das entrevistadas fica claro que a mulher é, sim, um ser atuante e producente, tão capaz quanto o homem para contribuir na luta pela terra, já que para os integrantes do Movimento Sem Terra, não há diferença entre homem e mulher.
No decorrer do vídeo são apresentadas questões íntimas das mulheres, histórias de vida, sonhos, medos, objetivos, e, paralelamente, a opinião de alguns de seus companheiros de luta sobre como vêem a presença da mulher ao lado do homem, seja na divisão das tarefas do lar, da roça ou da militância.
Com uma linguagem de vídeo-documentário - aquela que busca retratar a construção da realidade - "Mulheres da terra - da lona ao concreto" não utiliza offs de repórter, uma vez que o seu intuito é abordar questões ligadas à subjetividade de suas personagens e para isso escolhemos dar voz apenas aos personagens. O vídeo-documentário foi o meio ideal para a apresentação do tema, já que oferece maior liberdade para o uso de imagens e também do conteúdo. Este meio proporciona, através de um estilo mais literário, reflexão, possibilitando ao telespectador conhecer não só o papel da mulher dentro do MST, mas também o humanismo que caracteriza as relações internas.
O nome do vídeo-documentário "Mulheres da terra - da lona ao concreto" foi escolhido com a intenção de remeter de forma direta ao tema a ser abordado: histórias de mulheres que lutam pela conquista da terra, dentro do MST. A linha fina, "da lona ao concreto", tem dois significados: o processo de luta desde o acampamento, sob as lonas, até o assentamento tão esperado, já com as casas de alvenaria - concreto, palavra que representa também a concretização do sonho de se ter um pedaço de chão.






