Alguém se habilita? - Nem mesmo a base do governo está disposta a defender o Conselho

Alguém se habilita? - Nem mesmo a base do governo está disposta a defender o Conselho

Atualizado em 20/10/2004 às 11:10, por Redação Portal Imprensa.

Faltam defensores e sobra fogo amigo contra o projeto do CFJ. Declarações de aliados de primeira hora e de integrantes do alto escalão do governo demonstram que o projeto chegará combalido para o debate no Congresso.

Se já tem sido difícil encontras nas redações quem defenda a criação do Conselho Federal de Jornalismo, no parlamento então nem se fala. Declarações de aliados de primeira hora do governo, José Sarney á frente, de petistas de alta plumagem - João Paulo Cunha e José Genoíno e de integrantes do núcleo duro do Planalto Antonio Palocci, indicam que, caso o projeto chegue mesmo a ser votado pelo Congresso, não contará com oradores entusiasmados na tribuna nem na mídia. "Acho que (o CFJ) é uma tentativa, que sempre ocorre cicilicamente, de tentar exercer algum controle sobre os mecanismos da imprensa", disparou, em entrevista parta a Folha de S.Paulo, no último dia 18 de setembro, o presidente do Senado José Sarney. Questionado sobre a chance do projeto ser aprovado no Congresso, o presidente da casa é taxativo: "Nenhuma". Vale lembrar que Sarney, além de aliado fiel do governo, comanda a pauta.

Da presidência da Câmara a FENAJ também não deve esperar suporte para a batalha. Durante o I Ciclo de Palestras sobre o Parlamento Brasileiro, no dia último dia 16 de setembro, o presidente da casa, João Paulo Cunha, admitiu: o Governo errou ao enviar à Casa a proposta de criação do Conselho Federal de Jornalismo sem antes discuti-la com o Legislativo e com as entidades envolvidas. Para amenizar, o deputado que falava uma platéia de jornalistas em início de carreira que fazem a cobertura do Congresso, garantiu que o texto do Executivo será debatido no Congresso de forma ampla e sem pressa.

Nada com isso

Nem mesmo o soldado número do PT fora do governo, o presidente do partido, José Genoíno, se mostra empolgado com a causa do conselho. "Esse é um problema de vocês jornalistas. O PT não tem nada a ver com isso", esquiva-se. Já o discreto ministro da Fazenda, Antonio Palocci, que pouco opina fora de sua área, resolveu dar seu palpite. "Ficou claro que a proposta não era tão adequada assim. O que precisa ficar claro é o reconhecimento do direito de as instituições criticarem o governo".

Fred Ghedini, presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo e vice da FENAJ, não se deixa abater com a onda de críticas. "Deixamos muita coisa em aberto no projeto para facilitar o Trâmite e isso deu munição para quem é contra. O próximo passo será abrir o debate. Todos que não sejam ideológicamente irão participar do debate e influir nas mudanças". Questionado sobre a previsão de Sarney, de que o projeto não passa pelo Senado, Fred é direto: "Sarney é muito poderoso e conhece muito bem o senado, mas a gestão dele um dia acaba, a nossa categoria não. Se o projeto não for aprovado nessa gestão, será na próxima".